Viver como um rei. É assim que Cristiano Ronaldo pretende aproveitar sua aposentadoria do futebol. Em entrevista ao jornal "The Times", publicada neste sábado, ele diz que irá pendurar as chuteiras em quatro ou cinco anos - atualmente ele tem 30 anos. A rotina passará a ser mais ao lado da família e dos amigos.
- É trabalho, mas isso não é trabalho. Eu venci muitas coisas no futebol. Então eu tenho que dar 100% todo o tempo. Eu encerrarei minha carreira em quatro ou cinco anos. Depois eu irei viver como um rei com minha família e amigos - afirmou CR7.
Sincero, atacante do Real Madrid comentou também sobre seu comportamento e admitiu não ser a "pessoa mais humilde do mundo". Mas ele ressaltou que sua humildade se manifesta na vontade de sempre aprender.
- Eu não sou a pessoa mais humilde do mundo. Eu admito isso. Eu não sou falso. Mas de um jeito eu sou muito humilde. Eu gosto de aprender...Eu quero aprender com outros esportes, os melhores atletas. O que eles estão fazendo.Você pode melhorar com essa situação. Eu penso que é interessante. Uma pessoa que é assim é humilde - porque gosta de aprender.
Na conversa com a publicação, ele ainda comentou como educa o filho já que, com seu patrimônio financeiro, é fácil deixar tudo ao alcance do herdeiro. Mas o jogador luso ressalta que a realidade não é bem assim. Em uma ocasião, o pequeno chegou a pedir um smartphone, mas não foi atendido pelo pai.
- É fácil de ser mimado quando você acorda em uma grande cama, come iogurte com frutas e tem seis carros rápidos na garagem. Ontem, ele me perguntou: 'Posso ter um iphone 6?'. Eu disse: 'Não. Por que você quer um celular? Para quem você vai ligar?'. 'Eu quero chamar você papai'. 'Vou chamar a vovó e ela vai passar o telefone', eu disse a ele - afirmou.
Cristiano comentou ainda que atualmente Júnior gosta mais da posição de goleiro. Ele admite que gostaria muito que o filho escolhesse "marcar gols", mas ressalta: "Ele vai ser o que ele quiser".
- Cristiano me mudou muito. Era um sonho ter um filho enquanto eu era jovem com 25 anos. Ele mudou a forma como penso. Ele me apoia. Ele sempre sorri. Ele gosta da posição de goleiro, mas eu estou empurrando-o para jogar como eu, marcar gols. Ele vai ser o que ele quiser. Mas se ele quiser ser um jogador de futebol, eu irei empurrá-lo para seguir em frente.
Sobre a relação com o pai
- Meu pai era alcoólatra. Eu vi isso. Ele não era o pai que eu sonhei em ter. Eu amei ele, claro. Mas nunca tive uma conversa com meu pai do tipo que estou tendo com você. Nunca. Talvez uma vez na vida. Explique isso para mim.
- Meu pai estava morrendo em um hospital de Londres. Eu disse para Ferguson: 'professor, eu quero ir". Era um momento crucial da temporada. Ferguson disse: "Futebol não significa nada comparado com seu pai. Se você quer ir, então vá'. Eu vou sempre guardar isso.
Deixar a Ilha da Madeira rumo a Lisboa
- Foi um dos piores dias da minha vida. Eu não posso imaginar deixar meu pequeno filho Cristiano ir a outra cidade com 12 anos. Eu não culpo meus pais porque eles estavam tentando me dar uma oportunidade. Mas foi difícil. Tínhamos vivido todos juntos - meus irmãos e meus pais - mas naquele momento eu estava só por mim.
Rotina diária e o "dia do hambúrguer"
- Disciplina e dedicação. Eu acordei 8 da manhã hoje. Mas às 9h eu estava alongando com as máquinas. Eu fiz meu treino pesado. Depois eu fui para a academia e fiz abdominal e mais alongamento. Eu fiz uma massagem, almocei e depois dormi. No final do dia de hoje, eu irei para outra sessão assim.
- Eu como e bebo mal algumas vezes. Eu bebo uma taça de vinho de tempos em tempos. Todo domingo nós comemos hambúrguer em casa e bebemos coca-cola e tudo. Você precisa ter um equilíbrio.