Do automóvel que sai da prisão suíça à aeronave que decola do aeroporto de Zurique rumo a Nova York, José Maria Marin vai ser transportado sob absoluto sigilo para sua nova morada. Para se ter uma ideia do mistério que cerca o processo prático de extradição do ex-presidente da CBF para os Estados Unidos depois de cinco meses de encarceramento em solo europeu, o piloto do avião que o levará na viagem intercontinental só ficará sabendo da presença da identidade do passageiro menos de uma hora antes da saída, quando estiver na cabine fazendo as checagens de equipamento e segurança antes da partida. Por volta das 11h (de Brasília), a Justiça Federal da Suíça (FOJ, na sigla em inglês) afirmou ao GloboEsporte.com que Marin ainda estava no país.
- Eu acabo de chegar de Nova Iorque, mas nesses casos de extradição eu garanto que nem mesmo o piloto sabe. Só quando já estamos dentro do avião, uns 45 minutos, uma hora antes da decolagem, é que a responsável de cabine recebe a lista com os nomes dos passageiros e vê essa sinalização. Depois, durante o voo, a gente sabe quem é. Antes de entrar no avião, nem sequer desconfiamos que vamos transportar um extraditado. É uma operação totalmente sigilosa - informou um piloto da Swiss, antiga Swissair, empresa que faz a rota Zurique-Nova York.
Os outros passageiros do voo devem poder ver Marin. Pelo procedimento, o dirigente deve ser o último a entrar, um dos primeiros a sair, e provavelmente sentará em cadeira da última fila. Durante o voo, o FBI informou que não abre mão das algemas de pessoas sob custódia, porém pilotos da companhia aérea garantem que o brasileiro viajará sem algemas - por causa das leis da aviação - e acompanhado por um ou mais policiais do FBI, que farão tudo na máxima discrição possível.
Até chegar lá, Marin vai sair de um dos presídios de Zurique dentro de um veículo em que não será possível enxergar quem está dentro. Normalmente, os presos são transportados em vans com cortinas nas janelas que impedem a visualização do interior. O acesso ao avião, diretamente da pista do aeroporto, sem passar pela sala de embarque, também é sigiloso. Não é possível antecipar por qual portão será a entrada.
- Você pode ficar um dia, uma semana ou um mês que nunca vai ver nada. Uma extradição é um procedimento sigiloso e não é possível ver nada - disse um policial à paisana ao lado de um dos portões que dão acesso a carros da polícia à pista do aeroporto. - Pode ser esta, sim, a entrada, mas este aeroporto é enorme. Enorme mesmo, você não tem noção. Há várias entradas deste tipo. Esta é da polícia, mas ele pode nem vir por aqui. Há várias formas de chegar na pista, algumas que só a polícia conhece. Não é possível saber.
Nos EUA, Marin pode ficar no máximo até 72 horas preso numa delegacia até levado para ser ouvido por um juiz na Corte do Brooklyn, onde está correndo o processo do caso de corrupção na Fifa. Fechando o acordo para permanecer em prisão domiciliar e pagando a fiança, o dirigente poderá seguir para a sua residência na Trump Tower, no centro de Nova Iorque.