Neymar marca gol de pênalti contra Coreia do Sul — Divulgação
O futebol é um esporte que constantemente mistura paixão à técnica. Em Copa do Mundo, essa paixão atinge seu ápice, e a pressão existente ao longo dos 90 minutos de uma partida é elevada ao seu nível máximo nos poucos segundos que antecedem uma cobrança de pênalti.
Nesta terça-feira, a poderosa Espanha foi eliminada nos pênaltis para o Marrocos no Catar, após errar três penalidades seguidas: Sarabia bateu na trave e Soler e Busquets pararam nas defesas do goleiro marroquino Bono. Na segunda, foi o Japão o eliminado nos pênaltis. E até o artilheiro polonês Lewandowski desperdiçou um na primeira fase, contra o México de Ochoa, assim como o craque Messi perdeu para a Polônia de Lewa e do goleiro Szcesny.
Mas o que acontece no cérebro do jogador na hora do pênalti?
O médico especialista em neurologia Alexandre Lucidi comenta sobre estudos que mapeiam a atividade cerebral de um atleta no momento de uma cobrança de pênalti, mostrando que as experiências anteriores influenciam no momento da batida. Alexandre Lucidi e o médico do esporte e endocrinologista Guilherme Renke explicam, abaixo, o que acontece.
Na hora da batida do pênalti há:
1. Aumento do estresse;
2. Há então um consequente aumento na ativação do córtex motor. Essa área é relacionada ao desempenho sob estresse, que faz com que o jogador mantenha a precisão e a frequência cardíaca mesmo nesses momentos;
3. Em jogadores que mostram maior tendência a errar pênaltis, no entanto, o córtex pré-frontal é o que fica mais ativo;
4. O córtex pré-frontal, pelo seu lado, região do cérebro está relacionada à avaliação de risco e pensamento de longo prazo, sugerindo que os jogadores ponderavam consequências;
5. Essa avaliação de risco aumenta a pressão e a ansiedade do momento;
6. Isso gera alterações, como descargas adrenérgicas que fazem com que a boca fique seca e o coração mais acelerado.
7. O atleta que ativa mais o córtex pré-frontal fica então mais nervoso, o que faz com que sua parte motora não se mantenha tão apurada e tão fina;
8. Num momento de pressão como o da batida de um pênalti, há ainda maior produção de hormônios como o cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, e adrenalina. Em excesso, eles podem gerar palpitações, falta de ar, tremores, ansiedade excessiva e falta de concentração.
Essa diferença na atividade cerebral impacta diretamente nas reações do corpo, portanto, segundo Guilherme Renke, mesmo jogadores com atuações brilhantes ao longo da partida podem não conseguir lidar com a pressão do momento da cobrança de um pênalti, o que leva a reações distintas do corpo do atleta.