Caixa vê chance de recuperar dinheiro perdido com Timão — GE
O plano do Corinthians para quitar a dívida com a Caixa Econômica Federal pela Neo Química Arena é assumir, com desconto, dívidas que o banco teria que pagar a terceiros no longo prazo, conforme revela reportagem do Globo Esporte.
A base da proposta apresentada pelo clube nesta sexta-feira (17) está nesses títulos, chamados de precatórios, que o Corinthians se propõe a assumir com a Caixa. A grosso modo, seria trocar a dívida da Arena por outras dívidas, com a diferença de que a compra de precatórios é feita com um grande desconto.
Ou seja, o clube seguiria com uma dívida relacionada ao estádio, mas com valor menor. A vantagem do clube nessa operação está clara. Mas e o banco estatal, o que ganha com isso? Com essa operação, a Caixa pode recuperar um valor que, em sua contabilidade, já não estava mais previsto.
Após atraso nos pagamentos e litígio com o Corinthians, o banco passou a considerar em seu balanço financeiro o valor emprestado ao clube como perdido, por determinação da equipe de auditores. Mesmo com a renegociação feita em 2022, isso não mudou.
Se aprovada a proposta feita pelo Timão, a Caixa abateria um valor que tem em seu balanço como "contas a pagar" (precatórios) em troca de uma quantia que já não esperava receber (pagamento da Arena).
O valor do desconto nos precatórios proposto pelo clube é mantido em sigilo.
Além disso, a nova proposta do Corinthians inclui os valores dos ‘naming rights’ da Arena. Os pagamentos da Hypera Pharma iriam diretamente para uma conta da Caixa, sem nem passar pelo clube. Do ponto de vista do banco, isso daria uma maior garantia de recebimento.
Em 2020, o Corinthians vendeu os naming rights do seu estádio para a Hypera Pharma por R$ 300 milhões. O contrato, válido até 2040, tem uma arrecadação base de R$ 15 milhões por temporada, mas anualmente é corrigido pelo IGP-M (Índice Geral de Preços - Mercado). O valor atual do acordo é de R$ 17,8 milhões por ano.