Pela primeira vez desde o início da disputa por pontos corridos, em 2003, o Campeonato Brasileiro terá uma reta final com grandes clássicos decidindo a competição. Nos últimos anos, os campeões foram decididos em partidas contra equipes que não estavam na briga pelo título. Em alguns casos, os jogos que definiram o campeonato envolveram times que já não tinham mais o que fazer no campeonato - já não havia chance de título, vaga na Libertadores ou rebaixamento (alguns já estavam até rebaixados). Desta vez, todos os grandes clubes deverão encarar seus adversários mais tradicionais nas últimas rodadas.
A mudança foi decidida pela CBF depois que as últimas edições do Brasileirão foram marcadas por resultados altamente questionáveis na etapa decisiva da competição. Equipes envolvidas na briga pela taça acabaram dependendo da boa vontade de alguns de seus principais rivais, que enfrentavam outros concorrentes pelo título e podiam, em caso de vitória, acabar ajudando os maiores adversários. No ano passado, quem caiu nessa encrenca foi o Corinthians, que duelava com o Fluminense pelo título. Mas o Flu pegaria São Paulo e Palmeiras, que só cumpriam tabela na reta final. Não deu outra: os cariocas ganharam os dois jogos e foram campeões, para alegria de são-paulinos e palmeirenses.
A vontade de ver o rival derrotado é compreensível, mas o que causou preocupação nessas situações foi a desmoralização do campeonato. Ainda que o discurso das equipes fosse em defesa do profissionalismo e da busca pela vitória, mesmo que isso ajudasse um inimigo, ficou claro que os clubes não entraram com a mesma motivação de sempre. Pior: os jogadores que marcavam gols que poderiam beneficiar rivais foram xingados e hostilizados. Com as partidas derradeiras do campeonato envolvendo os arquirrivais, a chance de isso se repetir deve diminuir muito. Só não vai fazer efeito se o clube campeão abrir uma boa vantagem e decidir o título com mais rodadas de antecedência.