O discurso de gestão profissional é o mesmo há três anos, desde que Fernando Bezerra Coelho assumiu a presidência. Na época, um grupo de torcedores endinheirados se comprometeram a auxiliar o Santa Cruz a ascender novamente à primeira divisão.
Nada disso, no entanto, saiu do papel. O clube se estruturou fora de campo, é verdade. Foi de 2 mil para 12 mil torcedores e reformou o estádio Arruda, que serviu até para a seleção brasileira. Em 2009, Dunga e companhia venceram o Paraguai por 2 a 1, nas eliminatórias da Copa de 2010, na casa do Santa Cruz.
Só que o futebol não andou. O Santa Cruz, que vinha de três rebaixamentos consecutivos, foi eliminado precocemente da Série D em 2009 e 2010. Nem mesmo o apoio maciço da torcida, que sempre lotou o Arruda, empurrou a equipe dentro de campo.
Fernando Bezerra Coelho, que é filiado ao PSB, terminou seu mandato e foi ser ministro da presidente Dilma Rousseff, cuidando da pasta de Integração Nacional. Seu substituto foi o aliado Antônio Luis Netto, que manteve a maior parte da diretoria anterior, mas concentrou atenção no futebol.
“As pessoas que trabalhavam no futebol não tinham qualificação nem tempo para o Santa Cruz. Na parte do futebol, que todo mundo esperava que desse certo, não eram pessoas bem sucedidas. Nós pegamos um clube com a casa arrumada, o patrimônio ok e decidimos priorizar o futebol”, disse Albertino dos Anjos, diretor de futebol do Santa Cruz.
Sob o comando de Zé Teodoro, o time com orçamento modesto surpreendeu, deu trabalho para o São Paulo na Copa do Brasil e evitou o hexacampeonato do Sport. Agora, com a venda de Gilberto para o Inter, por R$ 2 milhões, os cartolas esperam iniciar a construção do seu novo CT.
“Nós já temos o terreno, o projeto e a construtora, mas precisávamos desse dinheiro para iniciar as obras. Agora a gente tem de acertar o plano de ação para iniciar as coisas já no segundo semestre”, disse Albertino.
Só que o dirigente sabe que o equilíbrio pode ser passageiro. Um desempenho abaixo do esperado na Série D pode abalar a sintonia no elenco e o momento positivo do Santa Cruz, que não tem garantias de que os resultados em campo continuarão aparecendo.
“A Série D é uma interrogação. Vamos fazer tudo que for possível para levantar o Santa Cruz, mas o tempo é que vai dizer”, disse Albertino dos Anjos. Um eventual fracasso pode afetar até a estabilidade financeira.
“Nós estamos tentando fazer com que o sócio desassocie a condição de sócio do resultado do futebol. Porque o amor dele é incondicional, mas se o time perde ele logo rasga a carteirinha, fica nervoso. Vai no estádio na semana seguinte, mas já não é mais sócio. E aí quando ganha quer voltar”, disse Luis Vieira, diretor de marketing do Santa Cruz.