Falcão reitera que o projeto particular seria uma evolução para os treinadores. O comandante do Inter argumenta que não ficando no nível do campo, poderá observar melhor movimentos táticos e ter um panorama mais aberto do jogo. A grande questão é o grande choque cultural da saída do chefe do vestiário da margem do gramado.
“Lá em cima se tem uma visão diferente. Uma visão mais ampla. Acho que as coisas no futuro se encaminhem para isso. Tem que quebrar uma cultura, quebrar a história de estar na beira do campo. Mas é que lá em cima se vê melhor o jogo”, opina Falcão.
No Inter desde o dia 11 de abril, Paulo Roberto Falcão ainda não sabe se colocará em prática tal medida no Beira-Rio. “Por enquanto ainda não. Estou a pouco tempo no comando”, explica. A saída do gramado, portanto, aconteceria em um contexto de maior compreensão do time com as idéias de Falcão. Assim, os 11 titulares poderiam facilmente ficar sob comando de um auxiliar técnico.
No caso do colorado, a função fatalmente cairia no colo de Julinho Camargo. Integrante da comissão técnica contratado junto com Falcão e que tem papel chave no dia a dia da equipe, inclusive sendo muito ativo nos treinamentos táticos.
“Talvez o treinador que grite e chute precise ficar ali [na beira do campo]. Mas lá em cima, se vê muito melhor jogo. Falo porque estive 15 anos como comentarista. Talvez um dia aconteça”, torce o ex-camisa cinco do Internacional. “Acho que seria um ganho para o futebol que os treinadores vissem o jogo com um ângulo de cima. É uma modificação que poderá acontecer”, completou Falcão.
Após a derrota para o Peñarol, com o acúmulo do revés para o Grêmio na primeira partida decisiva do Campeonato Gaúcho, Falcão teve seu estilo mais comedido na beira do campo questionado. As contestações, centralizadas em uma matéria do jornal Zero Hora, foram o estopim para uma espécie de revolta do elenco vermelho. Que culminou com a vitória no estádio Olímpico e o título do certame estadual.