Em Dourados, após a liberação mesmo que parcial do estádio Frédis Saldivar, o “Douradão” e principalmente o retorno da torcida nos jogos que o 7 de Dourados realizou pelo Campeonato Estadual deste ano em casa, um grupo de pessoas já estaria cogitando para o ano de 2012 o retorno do Ubiratan Esporte Clube ao futebol profissional, mesmo que seja na 2ª divisão.
Em contato com a reportagem, Joaquim Soares, atual presidente do “Leão da Fronteira” como é mais conhecido o clube douradense, não confirmou e tão pouco desmentiu o retorno ou não do clube ao futebol profissional, no entanto, assegurou que já está em fase bastante avançada o processo de um projeto para a montagem de uma forte equipe para disputar o Campeonato da Sub-18 deste ano. “Estarei quinta-feira na Federação participando do arbitral. O Ubiratan vai participar da Sub-18 com um único objetivo, conquistar uma das vagas para a Copa São Paulo do ano que vêm”, disse o presidente, acrescentando que estuda a possibilidade de contratar o experiente técnico e ex-jogador de futebol Cláudio Mineiro para montar a equipe que deverá ser levada a campo na sub-18.
Com relação ao retorno do Ubiratan ao que foi fundado em 5 de fevereiro de 1947 ao futebol profissional, Joaquim Soares diz que se depender dele tal fato não acontecerá, mais deixa claro que se algum empresário ou até mesmo um grupo empresarial querer assumir o Departamento de Esportes do clube para montar uma equipe para este fim, não colocará nenhum empecilho. “Dourados graças a Deus vem depois dos escândalos que levou até o prefeito para a cadeia junto com um grupo, que segundo a Polícia Federal, ele liderava em crime de corrupção entre outros delitos, vivendo um grande momento. Se aparecer alguém ou até mesmo um grupo de pessoas sérias para querer reativar o futebol profissional do Ubiratan, com certeza terei o maior prazer em atendê-los, assinando a procuração dando plenos poderes para que eles possam conduzir o Departamento de Esportes do clube. Eu sozinho particularmente não tenho condições de levar a equipe a 2ª divisão do futebol profissional. Uma coisa é certa...! Por aonde vou às pessoas, principalmente aquelas que foram minhas adversárias, com saudades e nostalgias lembram dos nossos confrontos e perguntam quando o Ubiratan vai voltar ao futebol profissional”, revelou Joaquim Soares lembrando que o clube está licenciado da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) desde o ano de 2001, quando disputou o último campeonato, após conquistar três edições dele, uma delas, de forma invicta em 1.999.
O “LEÃO DA FRONTEIRA”
O Ubiratan Esporte Clube é um clube brasileiro de futebol, sediado na cidade de Dourados, que foi fundado em 5 de fevereiro de 1947.
O uniforme do “Leão da Fronteira” como é denominado o clube douradense é composto de camisa preta (ou branca) com detalhes amarela, calção preto (ou branco) e meias pretas (ou brancas), e manda seus jogos no estádio Fredis Saldivar que possui atualmente capacidade para receber no máximo 25 mil pessoas quando estiver literalmente reformado.
O clube da Cabeceira Alegre, bairro onde está a sua séde foi campeão estadual nos anos de 90 na gestão do então deputado e empresário Roberto Razuk, e em 98 e 99 foi bi-campeão.
Vale lembrar que em 99 conquistou o titulo de forma invicta e seu presidente nas duas últimas conquistas era o então vereador Joaquim Soares, hoje fundador e proprietário do site www.exportiva.com.br.
Nos anos de 1988 e 2000, o clube douradense foi vice-campeão e enquanto profissionalizado disputou alguns campeonatos a nível Nacional, como o Campeonato Brasileiro da Série “C”, cinco Copa do Brasil e duas Copa Centro-Oeste.
Na CBF (Confederação Brasileira de Futebol) que pontua todos os clubes brasileiros, o
Ubiratan ocupa a posição de 183 com 18 pontos pontuados.
OS TITULOS
Em 1990 o Ubiratan conquistou o 1º titulo numa dramática final
contra a então SEN (Sociedade Esportiva Naviraiense), que foi o clube de melhor campanha na 1ª fase, e que havia eliminado na semifinal o todo poderoso Operário de Campo Grande.
Já o Ubiratan conquistou o direito de ir à final ao enfrentar na semifinal o Giannini de Costa Rica. No 1º jogo em Dourados, a equipe venceu por 1 a 0 com um gol de Cocan e no 2º, em Costa Rica, o resultado foi de 0 a 0.
A decisão foi disputada em dois jogos, sendo o 1º em Dourados, onde o Ubiratan venceu por 1 a 0 com um gol de Tadeu, e no jogo seguinte na cidade de Naviraí o “Leão da Fronteira” jogando com muita garra e mesmo tendo um jogador expulso, conseguiu garantir o empate que lhe deu o título.
EM 1.998
O campeonato de 1998 foi um dos mais longos da história do Mato Grosso do Sul e o que também teve o maior número de equipes participantes: 21.
O Ubiratan foi o time que obteve a melhor campanha, mesmo começando mal o campeonato, ao perder em casa por 1 a 0 para o hoje extinto SENA (Sociedade Esportiva Nova Andradina).
Após conseguir alcançar um padrão de jogo bem definido, o “Leão da Fronteira" foi à final contra a SERC (Sociedade Esportiva e Recreativa Chapadão do Sul) que havia perdido a primeira partida em Dourados por 4 a 2 para o Operário Atlético Clube, mas que no jogo de volta, em Chapadão do Sul, a equipe goleou os douradenses por 5 a 0, assegurando assim a vaga para a final.
Na final, o Ubiratan por ter tido a melhor campanha, jogou por dois resultados iguais.
O primeiro jogo, em Chapadão do Sul, foi bastante tumultuado e o Chapadão conseguiu a vitória por 1 a 0, mais na partida decisiva perante um público estimado em mais de 7 mil torcedores no Douradão, as duas equipes fizeram um jogo digno de uma final de campeonato.
Depois de perder por 1 a 0, em Chapadão do Sul, o bicampeonato do "Leão da Fronteira" dependia de uma vitória no estádio Frédis Saldivar O Ubiratan, ao contrário, dependendo da vitória e não decepcionou.
Com o apoio da torcida, o Ubiratan jogou 30 minutos de um futebol de alta categoria, com toque de bola refinado, perdeu pelo menos cinco reais oportunidades de gol, uma vez que faltava tranqüilidade na finalização dos jogadores de ataque, que mesmo assim, obrigaram o goleiro Samir, do Chapadão do Sul, a fazer grandes defesas.
Nos 10 minutos finais ainda do 1º tempo, o Ubiratan passou a sofrer pressão e todas as jogadas de ataque do adversário eram construídas para a finalização do centro-avante
Batuíra em jogadas aéreas contra a defesa da equipe douradense.
Aos 42 minutos, o árbitro Getúlio Barbosa anulou um gol anotado por Cláudio de cabeça, depois de um cruzamento da esquerda.
O árbitro viu uma irregularidade e apitou antes do cruzamento que originou o gol.
O panorama do início do 2º tempo foi idêntico ao da 1ª etapa com o Chapadão do Sul na defesa, fechado, de olho no empate, que lhe garantia o titulo.
Quando o jogo ficava dramático, com a torcida já impaciente e os jogadores com sintomas de nervosismo, surgiu à figura do artilheiro, do matador, para definir a partida e o título sul-mato-grossense.
Aos 11 minutos uma falta perigosa na entrada da grande área do Chapadão do Sul.
Fialho cobra com perfeição, no ângulo do goleiro Samir: Ubiratan 1 a 0 para delírio da torcida douradense.
O bicampeonato estadual do Ubiratan foi comemorado de fato, aos 14 minutos, num contra-ataque rápido, Fialho foi derrubado na grande área: pênalti, que ele mesmo converteu: Ubiratan 2 a 0 Chapadão. Fialho, enfim, o artilheiro isolado do campeonato estadual com 19 gols.
O gol de misericórdia, que sacramentou o título estadual para Dourados, aconteceu aos 33 minutos. Marco Antônio chutou de bico, da entrada da grande área, e Samir deixou passar por debaixo das pernas. Um frangão e Ubiratan 3 a 0 Chapadão.
No final da partida, aos 47 minutos Vagner, do Chapadão do Sul e Roberto Nunes, do Ubiratan foram expulsos pelo árbitro Getulio Barbosa, que foi auxiliado por Luiz Nunes D’Ávila e Alécio Aparecido Lezo.
INVICTO
Em 1999 o Ubiratan, comandado pelo técnico Nei Cesar, repetiu o bom futebol apresentado no ano anterior e conquistou o bi-campeonato sul-mato-grossense, de forma invicta.
Na semifinal o Ubiratan enfrentou o União de Campo Grande e venceu os dois jogos. O primeiro em Dourados por 2 a 0, e o segundo, em Campo Grande por 3 a 0.
O adversário seria o todo poderoso Comercial de Campo Grande, que havia eliminado nas semifinais, o Operário de Dourados.
A final foi disputada numa melhor de três partidas.
Na primeira, em Campo Grande o Ubiratan venceu por 1 a 0, com um gol de Paulo César.
No segundo jogo, no “Douradão”, o campeão já poderia ser conhecido caso o Ubiratan vencesse, mas o jogo terminou empatado em 0 a 0 e as emoções ficariam guardadas para o 3º e último jogo da decisão.
A DECISÃO
Mesmo com a vantagem do empate e o retrospecto amplamente favorável, o técnico do “Leão da Fronteira” Nei César armou seu time no ataque, para vencer e desde o início colocou os três principais goleadores da competição, sendo eles, Alexandre das Arábias, com 12 gols; Andrade, com oito, e Paulo César, com sete gols.
Já o Comercial entrou em campo determinado em não levar nenhum gol e usou a experiência de seus jogadores para catimbar o jogo e desmontar o esquema tático de Nei César.
Foi um festival de "cai-cai" dos comercialinos; reclamações e troca de insultos e o árbitro Getúlio Barbosa teve bastante trabalho para segurar os ânimos de todos os que estavam dentro das quatro linhas.
Logo no início, os comercialinos armaram uma confusão e a partida ficou paralisada por mais de quatro minutos, tudo porque Chaveirinho se jogou ao chão, simulando uma agressão inexistente.
Quando tudo parecia calmo, Oscavo deu um soco no rosto de Andrade, aos 15 minutos, e foi expulso. Novo tumulto e nova paralisação.
Nervoso e com um jogador a mais, o time do Ubiratan não conseguia tirar proveito dessa situação e pouco produziu de ataque no 1º tempo, e o Comercial na dele, retrancado e jogando só nos contra-ataques e assustando a torcida ubiratanense.
Aos 24 minutos, numa cobrança de falta Dubinha chutou forte; a bola desviou na barreira e sobrou para Chaveirinho, que encontrou, sozinho, na área o atacante Benê, e este só teve o trabalho de empurrar para o gol e marcar o primeiro gol da final.
No 2º tempo, empurrado pela grande torcida douradense que estava no “Douradão”, o
Ubiratan pressionou e chegou ao gol de empate, que seria o do título.
Aos 34 minutos, depois de um bate-rebate, o zagueiro central Élcio, de meia bicicleta, empatou o jogo, levando a torcida ao delírio.
Após o gol de Élcio, o Comercial cresceu na partida e numa cabeçada, Benê acertou o travessão de Leis e em seguida o Ubiratan teve também duas grandes oportunidades do segundo gol, mas Aranha salvou.
Quando o árbitro terminou a partida a festa foi geral em Dourados, uma vez que o
Ubiratan conquistava o seu 3º título, o último deles, de forma invicta, com Leís; Pereira, Elcio, Nilton e Marquês; Zé Luciano, Helivelton depois Cleyton, Alex Sandro e Alexandre das Arábias; Andrade depois Xiru e Paulo César e como técnico, Nei César.
O Comercial perdeu o titulo com Aranha; Ailton, Sidney, Dubinha e Edilson Passos;
Paulo Sérgio, Oscavo, Velloso e Pedrinho Maradona; Benê e Chaveirinho depois Ademir.
O árbitro foi Getúlio Barbosa e os auxiliares Paulino Mariano e Adinilson da Costa Pinheiro e os regra três José Carlos Oliveira e Luiz Nunes D’Avila.