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Não filiados ao Clube dos 13 sofrem com abismo financeiro

15 de setembro 2011 - 16h33 Por Redação Douranews, com Terra
Não filiados ao Clube dos 13 sofrem com abismo financeiro

Como se não bastassem as maiores cotas de TV da Série A do Campeonato Brasileiro, os membros do Clube dos 13 têm mais vantagens financeiras em relação aos cinco times que não fazem parte deste grupo. Além da possibilidade de antecipar as verbas do próximo ano, os 15 privilegiados receberam o dinheiro das luvas do contrato - que varia para cada um - já assinado para as quatro temporadas seguintes.

América Mineiro, Atlético Goianiense, Avaí, Ceará e Figueirense nem sequer negociaram valores futuros. Os outros participantes da primeira divisão, mesmo se forem rebaixados, já garantiram seus reajustes até 2015, assim como Goiás, Sport e Vitória, filiados ao C13 que amargam a Série B. Também na Segundona, Portuguesa e Guarani permanecem excluídos dos acordos com a Globo.

Até 2011, era a direção do C13 quem barganhava contratos com a TVs. Após disputas internas e uma licitação pelos direitos de transmissão do Brasileirão, a Globo passou a tratar diretamente com os clubes.

"O próprio representante dela, Marcelo Campos Pinto, já teve contato conosco. Era para termos outro contato também e não tivemos. A gente está mais preocupado em reverter a situação do Avaí (na zona de rebaixamento). Se não pertencemos ao Clube dos 13, não sei como essa situação vai ser encarada pela Globo", afirmou o presidente avaiano, João Nilson Zunino.

"A última informação que tivemos é que só em outubro eles teriam uma conversa conosco", contou o diretor de futebol do Ceará, Robinson de Castro e Silva.

"Teve (contato) lá no comecinho, quando ainda estava aquela briga (pelos direitos de transmissão). Recebi um telefonema, dizendo que eu ia ser contactado. Depois, não me ligaram mais ", relatou o presidente do América, Marcos Salum.

O presidente do Atlético Goianiense, Valdivino José de Oliveira, garante que não houve conversas com a Globo sobre os próximos campeonatos nacionais.

Atualmente, a menor cota de um membro do C13 é cerca de 30% superior ao de um participante da Série A que não seja associado a esta confraria. Por ora, continua indefinido o tamanho do abismo que será adotado a partir de 2012.

Rebaixáveis

Neste segundo semestre, Corinthians, Vasco, São Paulo, Botafogo, Fluminense, Flamengo, Inter, Palmeiras, Coritiba, Grêmio, Santos, Cruzeiro, Atlético Mineiro, Bahia e Atlético Paranaense receberam o auxílio das cotas de televisionamento para terminar bem a temporada.

Essa grana permite, por exemplo, sanar dívidas urgentes, manter salários em dia, cobrir propostas do exterior e angariar reforços. Lutando prioritariamente para se manterem na Série A, os "intrusos" América, Atlético Goianiense, Avaí, Ceará e Figueirense acusam o peso da disparidade econômica.

Decorridas 23 das 38 rodadas, americanos e avaianos ocupam os dois últimos lugares na classificação. Os cearenses estão a dois postos da zona de degola. Somente o Figueira e o Dragão goiano respiram, aliviados, respectivamente na 10ª e na 11ª posição.

"Temos interesse (em verba adiantada), claro. Como não teríamos? Seria interessante, principalmente porque outros clubes receberam e isso faz diferença. A maioria do pessoal do Clube dos 13 recebeu, ou todos eles", declarou Silva, do Ceará.

"Pois é, estamos vivendo de pão e água. Mas a gente confia que nossa campanha continue crescendo e inevitavelmente eles (da Globo) vão nos procurar", avaliou Oliveira, do rubro-negro de Goiânia.

"Não mantivemos nenhum contato a esse respeito. Nunca antecipamos receita nesses três anos (na Série A). Tentamos administrar da forma como estávamos aqui para não gastar antecipadamente. Mas há momentos em que, às vezes, é preciso", admitiu Zunino, do Avaí.

Salum, do América, minimizou a desvantagem do quinteto de primos pobres:
"Eu não gosto de antecipar receita não. Não é o nosso estilo".

O cearense Silva considera ainda mais difícil concorrer com equipes do Sul e do Sudeste.
"Esses clubes já têm uma economia privilegiada".

O atleticano Oliveira reforça o coro:

"Uns com tanto e outros com nada, né? Mas, paciência, é a regra do jogo. Sou professor de Economia e é por aí que vamos levando, com muita criatividade, planejamento. Dica, eu não te dou não. Tem muita solidariedade de quatro ou cinco dirigentes".

Bonificação

Uma maneira de se reduzir a enorme diferença de arrecadações entre os 20 participantes da primeira divisão seria conceder bônus por colocação, excetuando apenas os quatro rebaixados.

"No ano passado, distribuímos R$ 28 milhões em prêmios de desempenho técnico. Esse ano, se não tivessem ocorrido esses fatos todos (da dissidência), a estimativa era de distribuirmos R$ 50 milhões", revelou o presidente do Clube dos 13, Fábio Koff. "Isso servia como poder moderador entre o que ganha mais e o que ganha menos. Remunerávamos até o 16º lugar. Ano passado, o campeão recebeu R$ 8 milhões. A perspectiva deste ano era de R$ 20 milhões".