Hoje, o Clube dos 13 está mais perto de fechar as portas do que alongar a história que começou em 1987 com treze fundadores. A associação de 20 dos mais poderosos times de futebol brasileiros vai se reunir até dezembro para avaliar seu futuro, que se pôs em dúvida por causa de uma dissidência escancarada neste ano.
Uma comissão se debruçou sobre as finanças da entidade a partir de maio e, após meia dúzia de reuniões, apresentou o resultado a uma assembleia. Estão sendo adotadas medidas de redução de custos, atrofiando toda a estrutura.
A auditoria interna mostrou já ser possível extinguir o C13 se assim desejarem seus membros, pois há receitas suficientes para cobrir as despesas e dívidas. Até março de 2012, estão previstas arrecadações com contratos de TV, placas de publicidade e pay-per-view.
Para permanecer existindo, entretanto, a agremiação necessita buscar novas fontes de recursos. Os direitos de transmissão e a exploração de mercado do Campeonato Brasileiro deixam de ser geridos pelo C13 porque uma cisão fez os clubes negociarem acordos diretamente com as TVs.
O C13 perdeu, assim, sua principal função. A licitação que propôs - vencida pela Rede TV! - acabou fracassando. A Record não conseguiu a adesão dos cartolas, e a Globo manteve sua hegemonia na maior competição esportiva do País. As cifras bilionárias são protegidas por cláusulas de sigilo.
"Estamos procurando resolver alguns problemas para fechar a sede aqui (em Porto Alegre) e transferi-la para São Paulo, e eu me desonerar das obrigações para poder sair, dar uma nova vida ao Clube dos 13. O destino, são os clubes que escolhem. Estou aguardando a data mais oportuna para fazer uma assembleia", contou Fábio Koff, presidente da entidade desde 1996.
Na sua opinião, o fim do C13 não parece algo tão factível:
"Não". Temos débitos a pagar. Temos mais créditos a receber. Temos que receber os créditos para pagar os débitos. O que está certo é que o Clube dos 13 está se enxugando, seu corpo administrativo está diminuindo. Até porque a proposta de continuidade que possa ocorrer tem uma visão menor do que a nossa. Nossa tendência era crescer. E eles têm a intenção de diminuir, ter o Clube dos 13 como uma entidade que possui relações meramente institucionais com os demais.
"Eles" são os representantes dos 20 clubes. "Se não forem todos, (são) todos aqueles que assinaram contratos e ajudaram a chegar a esta situação", especificou Koff.
Pelos seus cálculos, R$ 50 milhões em bonificações premiariam 16 equipes pelos seus desempenhos na Série A de 2011, porém essa bolada se reverte agora em desoneração dos custos que cabem ao C13.
"O Clube dos 13 não se vale, há quatro anos, de nenhum recurso oriundo dos clubes. O Clube dos 13 tem uma marca que ficou forte. Ele vendeu esta marca. Teve comprador desta marca. Então, a administração do Clube dos 13 fica sustentada em função dos recursos advindos da marca. No momento em que eles não quiseram mais vender a marca, eles resolveram fazer um pacote, evidentemente que o Clube dos 13 vai ficar sem recursos, mas esses recursos estão sendo pagos rigorosamente em dia até o término do contrato da TV Globo e da Globosat", afirmou o líder da associação.