Os clubes que quiserem negociar ações em bolsa devem cumprir as mesmas exigências de qualquer outra empresa no Brasil. Assim, para começar, o clube deve conseguir autorização na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e se transformar em uma Sociedade Anônima (SA). Posteriormente, devem fornecer à Bovespa informações sobre planos de negócios, estruturas administrativas, demonstrativos financeiros auditados com todas as fontes de receitas e débitos.
O único clube que tentou negociar ações na bolsa de valores do País, o Coritiba, não obteve sucesso. Já na Europa, existe até um índice que mede o desempenho das ações de clubes, o Stoxx Europe Football, atualmente com 23 times, entre eles Ajax, Roma, Celtic, Fenerbahce, Juventus, Porto e Tottenham. Para o professor de Negócios do esporte da ESPM-RJ, Sylvio Maia, falta amadurecimento aos clubes brasileiros para abrir o capital.
"O modelo brasileiro tradicional apresenta conselhos administrativos que vêm de muitas gerações e que são pouco profissionais. Para fazer uma IPO os clubes precisam sanar algumas pendências em relação ao ranking de governança corporativa, com publicação de balanços, além de cumprir outras exigências específicas da Comissão de Valores Mobiliários (CVM)", diz. Segundo Maia, os clubes brasileiros precisam passar por uma "mudança de cultura" para entrar em um mercado tão organizado e com regras severas. "As relações de poder nos clubes de futebol ainda estão muito distorcidas."
O advogado especialista em direito desportivo e sócio do escritório Carlezzo Advogados, Eduardo Carlezzo, diz que a comercialização de ações poderia ser uma solução para os clubes brasileiros, mas eles ainda precisam passar por um longo caminho de gestão administrativa, principalmente na preparação em termos de diversificação da receita com patrocínio, ocupação dos estágios e valor do passe dos atletas. Além disso, os times precisam detalhar em seus balanços todas as origens e destinos das receitas e, principalmente, resolver os passivos trabalhistas que consomem boa parte das rendas dos clubes.
Entre 12 dos principais clubes brasileiros, o Corinthians e o Flamengo teriam mais chances de captar dinheiro na bolsa, pois têm marcas mais fortes, conforme levantamento da empresa de auditoria e consultoria BDO RCS. A pesquisa analisou as receitas diretamente relacionadas ao cálculo do valor das marcas (marketing, estádio, sócios e mídia) e concluiu que o Corinthians é o time com maior valor de marca no País, com projeção de R$ 867 milhões. O Flamengo ficou em segundo lugar e subiu uma posição em relação ao levantamento de 2010, com valor de R$ 689 milhões. O São Paulo, que caiu uma posição, teve o valor da marca projetado em R$ 625,3 milhões.
Embora o futebol não fique tão longe, os números brasileiros não chegam perto do mais valioso do mundo, o Manchester United, que vale US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 2,4 bi), segundo ranking do ano passado da revistaForbes