O treino da Seleção Brasileira desta terça-feira, às 18h (de Brasília), será a única chance de Mano Menezes testar o time que enfrentará a Argentina amanhã, pelo Superclássico das Américas. Porém, mais uma vez o técnico terá de recorrer ao improviso para driblar contratempos que têm atormentado a preparação para cada amistoso disputado desde que assumiu o cargo. Até o momento, apenas na sua estreia contra os Estados Unidos e na Copa América o treinador não teve de lidar com desfalques de última hora por conta de lesões, punições e indisciplina.
Para o duelo contra os argentinos, o treinador enfrentou uma situação inédita: o desejo de um jogador não defender a Seleção. O lateral direito Mário Fernandes pediu dispensa por problemas particulares não divulgados e disse que um dia pretende voltar a ser convocado, mas sua atitude gerou desconforto similar a uma "deserção", expressão de certa forma exagerada utilizada para rotular pedidos de dispensa sem justificativas. Sem o gremista e sem Paulinho, cortado também na segunda por lesão, Mano terá apenas 18 jogadores de linha à disposição e não poderá comandar um coletivo completo.
A principal causa das dores de cabeça de Mano Menezes está na frequência de cortes provocados por lesões. Ao todo, foram 14 "desconvocações", sem contar as contusões sofridas durante os jogos como ocorreu com Ederson e Paulo Henrique Ganso, nem a impossibilidade de convocar jogadores que tiveram problemas físicos em seus clubes, como ocorreu com frequência com Alexandre Pato.
Mano ainda teve de lidar com perda de voos, como de Maicon antes do duelo contra a Alemanha, punições, como de Hernanes e Lucas Leiva por expulsões, e indisciplinas, como nas ausências de Neymar contra Irã e Ucrânia e de Marcelo na Copa América. A cada convocação, surgiram problemas antes da lista e durante a preparação para os amistosos. Algumas vezes, a opção de não chamar substitutos de última hora fez com que o auxiliar Sidnei Lobo voltasse a ser jogador em coletivos para tapar buracos, fato que ocorreu antes dos duelos contra Ucrânia e Gana.
O acúmulo de problemas em parte explica a escalação de 15 times diferentes em 16 partidas de Mano como treinador, contando o jogo desta quarta-feira. Porém, a falta de constância de time-base também está relacionada aos frequentes testes e a opções táticas. Nos quatro jogos da Copa América, Mano teve a oportunidade de escalar o mesmo time, mas só fez isso uma vez.