O recém-aposentado Marcos terá dois meses de férias para decidir o que fará no futuro. Com mais dois anos de contrato com o Palmeiras, tempo em que pode exercer a função que preferir, o ídolo pode optar por integrar a comissão técnica ou a diretoria de futebol, mas deve ser induzido a aceitar a função de embaixador do clube, mais afastado do dia a dia do time.
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"Vejo o Marcos sempre como grande embaixador do Palmeiras, acho que ele poderá continuar sendo muito importante para o clube. A intenção é que ele vá até a base ver treinos dos meninos, que use seu carisma para incentivá-los, que possa receber uma nova contratação... A imagem e a história dele podem ser muito importantes se devidamente exploradas", informou o vice-presidente de futebol Roberto Frizzo.
O ex-camisa 12 já conversou sobre o assunto com diversas pessoas na Academia. Ao anunciar sua aposentadoria a Frizzo e a César Sampaio, gerente de futebol, ele afirmou que o período de descanso do qual não abre mão será muito importante para que a melhor decisão seja tomada. Com o preparador de goleiros Carlos Pracidelli, profissional com quem convivia diariamente com muita proximidade, o arqueiro também se mostrou indeciso.
"Conversamos algumas coisas a esse respeito. Nesses dois meses de férias, ele vai ver com a família e depois devemos nos falar novamente. Tenho certeza que ele vai saber aquilo que melhor cabe em seu perfil", disse Pracidelli, sem confiar que possa ter o ex-goleiro como seu auxiliar na função de preparar os atuais arqueiros palmeirenses.
"Acredito que não, até em função do desgaste que ele tem no joelho esquerdo. Essa função requer algum esforço, são muitos chutes, causa desgaste. O Marcos tem o perfil de coisas muito maiores, por tudo que ele conseguiu, não só no lado profissional, mas também no lado pessoal. Os voos do Marcos agora vão ser muito grandes", encerrou.
Exemplo de amor à camisa no futebol moderno
A carreira de Marcos pode ser classificada como uma das mais bonitas dos últimos anos. Mesmo consagrado e objeto de desejo de grandes clubes europeus durante a trajetória dentro dos gramados, o goleiro deu um raro exemplo de "amor à camisa" no futebol moderno. O camisa 12 permaneceu os quase 20 anos de vida futebolística na mesma instituição: a Sociedade Esportiva Palmeiras.
Com a camisa alviverde, Marcos conquistou os maiores títulos da organização paulista. Campeão brasileiro nos anos de 1993 e 1994, o goleiro alcançou o auge da carreira. Em um espaço de apenas três meses, deixou o banco de reservas para se tornar um dos principais responsáveis pelo título inédito da Copa Libertadores da América de 1999, a maior glória obtida pelo Palmeiras até hoje.
Já tratado como ídolo, Marcos conquistou ainda mais a torcida na edição seguinte da competição sul-americana. Embora tenha passado por um péssimo momento de pressão, após falhar na decisão do Mundial de 1999 (não conseguiu interceptar um cruzamento de Ryan Giggs, que resultou no gol do título do Manchester United, marcado por Roy Keane), o goleiro se tornou símbolo da vitoriosa geração alviverde ao novamente impedir o arquirrival Corinthians de seguir no torneio.
Na semifinal, Marcos defendeu o pênalti cobrado por Marcelinho Carioca, principal ídolo corintiano na época, e classificou o Palmeiras à decisão da Libertadores de 2000 - competição na qual o time acabou como vice-campeão.
Ídolo consolidado dentro do clube, Marcos atingiu o Brasil inteiro em 2002. Goleiro de confiança do técnico Luiz Felipe Scolari, o representante palmeirense vestiu a camisa 1 da Seleção Brasileira e teve participação fundamental na conquista do pentacampeonato, especialmente na decisão contra a Alemanha.
As grandes atuações despertaram o interesse europeu. O Arsenal, depois de conhecer o goleiro palmeirense na Copa do Mundo do Japão e da Coreia do Sul, buscou a contratação de Marcos. Entretanto, na contramão do futebol moderno de negócios, o jogador rejeitou a proposta e seguiu na instituição alviverde, apesar do rebaixamento à Série B do Brasileiro em 2003.
Marcos passou pela pior crise da história palmeirense sem ter o respeito adquirido durante o fim da década de 90. O jogador seguiu convivendo com lesões, alguns vexames (como a goleada de 7 a 2 para o Vitória, pela Copa do Brasil de 2003, no Palestra Itália) e grandes atuações. O último título conquistado pelo camisa 12 no único clube da carreira foi o Campeonato Paulista de 2008.