Quando definiu junto à CBF a tabela de amistosos preparatórios para os Jogos Olímpicos de Londres, o técnico Mano Menezes sabia que a sequência se encerraria com o maior desafio diante da Argentina de Messi. O que o treinador não imaginava era que o grau de dificuldade da partida, marcada para às 16h06 (15h06 de MS)) deste sábado (9), em Nova Jersey, aumentasse por conta de lesões e por uma derrota inesperada contra o México.
Sem David Luiz e provavelmente sem Thiago Silva, que depende de um teste para ser liberado, Mano Menezes deve escalar uma dupla de zaga formada por dois jogadores de 21 anos que são reservas em seus clubes - Juan e Bruno Uvini, ainda corre o risco de perder o volante Rômulo com dores musculares e teve de mudar a lateral direita diante das falhas de marcação de Danilo. Justamente contra um time embalado por uma goleada de 4 a 0 sobre o Equador, que tem o melhor jogador do mundo como camisa 10, conta com atacantes como Agüero e Higuaín e ostenta média de 27 anos.
Apesar de tudo, Mano contemporiza a situação. "Os jovens terão personalidade para jogar, disso eu não tenho dúvida nenhuma. Você pode, como jovem, querer fazer coisas não tão necessárias. E isso não é falta de personalidade. Quando jovem você não tem receio, e o perigo pode estar numa situação dessas. Vamos criar como criaríamos contra qualquer seleção do mundo", disse.
O Brasil, com uma média de idade de 22 anos e uma equipe em formação, vem de uma derrota para o México e um segundo fracasso aumentaria o questionamento em cima da Seleção de Mano às vésperas da Olimpíada. Por outro lado, uma vitória convincente confirmaria um saldo positivo na sequência que começou com vitórias diante de Dinamarca e Estados Unidos.
Mano enxerga um balanço positivo até agora e defende com unhas e dentes a atuação brasileira contra os mexicanos. Em sua avaliação, a derrota foi ocasional. "Não é justo isolar um jogo, nem para um lado ou para outro. Estou satisfeito com o que a Seleção Olímpica fez até aqui. Era isso que queríamos confirmar como ideia, a maioria que vai a Londres está aqui", argumenta.
Presente
José Maria Marin, empossado presidente da CBF no começo deste ano, marcou presença na semana anterior a Brasil x Argentina. Conversou diariamente com o diretor de Seleções Andrés Sanchez, esteve na concentração brasileira por duas vezes e assistiu ao último treino em Nova Jersey. O acompanhamento teve ainda mensagens de apoio a Mano e a promessa de sequência de trabalho aconteça o que acontecer diante da Argentina.
Marin disse anteriormente que Mano seria cobrado por resultados, o que deu à Olimpíada de Londres um peso muito grande na continuidade do trabalho. Nos Estados Unidos, onde assistiu também à derrota para o México em Dallas, o discurso é conciliador, com elogios a Mano e palavras para passar tranquilidade antes de uma partida de alto grau de dificuldade. "Não é a cobrança de resultado imediato. A derrota pode acontecer, mas acho que precisa existir um caminho, uma mudança de mentalidade, e a Seleção tem apresentado isso", disse.
Homenagem
A partida terá uma homenagem ao ex-atacante Bebeto. O ex-jogador, segundo o presidente José Maria Marin, estará no MetLife Stadium. Bebeto atualmente exerce cargo no conselho administrativo do Comitê Organizador da Copa de 2014, também presidido por Marin.