A morte do líder religioso Sun Myung Moon, o Reverendo Moon, não deve comprometer o destino do Cene, clube de futebol que o coreano ajudou a fundar em Mato Grosso do Sul. Quem garante isso é o presidente do ‘Furacão Amarelo’, José Rodrigues.
“Tem muita gente perguntando hoje se o Cene vai acabar. Pelo contrário, e se ele [o reverendo morto no domingo (2)] estivesse aqui, diria; 'agora é que vocês têm que seguir mesmo, para serem campeões'’, disse o presidente, em entrevista ao Globoesporte.com em Mato Grosso do Sul.
O Cene nasceu a partir das atividades da Associação das Famílias para Unificação e Paz Mundial, criada por Moon e que se instalou na fazenda Nova Esperança, em Jardim, região sudoeste do Estado, no final da década de 1990. O futebol era apenas o lazer das famílias que moravam nas terras da associação, mas, segundo José Rodrigues, o próprio reverendo estimulou-os a formar um clube profissional.
“Um belo dia ele chegou e perguntou: 'vocês querem montar um time, entrar para o profissionalismo?' Nós queríamos, mas não tínhamos condições. Então ele disse: 'pode criar o clube que eu patrocino, dou uma ajuda para vocês começarem'. Daquele momento em diante, ele passou a ser o patrono do Cene”, lembra Rodrigues, informando que o clube antém até os dias atuais uma parceria com uma empresa sul-coreana, ligada ao conglomerado de Moon. A parceria rende suporte material ao clube, que também sobrevive com as receitas geradas pelo futebol, como a participação em campeonatos e a transação de jogadores.
A relação de Moon com o futebol vinha desde a infância, como lembra o presidente do Cene. A paixão pelo esporte levou o reverendo a fundar em 1989 o Seongnam Ilhwa Chunma, atualmente o clube mais vitorioso da Coreia do Sul com vários títulos nacionais e continentais, além da participação no Mundial de Clubes da Fifa em 2010. Sucesso nos gramados que inspirou o símbolo do clube brasileiro: o cavalo alado, presente no escudo do time coreano, também é a marca do Cene.
Em Mato Grosso do Sul, a aposta cenista deu resultados rapidamente. Em 2002, no terceiro ano de atividades profissionais, o Cene conquistou o primeiro título estadual. Atualmente o Furacão detém quatro títulos sul-mato-grossenses, sendo o último conquistado em 2011. Em número de conquistas estaduais, só perde para os tradicionais Operário (10) e Comercial (8).