O presidente do Sport, Luciano Bivar, remexeu no passado e levantou hoje (8) uma polêmica que pode se transformar no novo escândalo no futebol brasileiro. Inicialmente, disse ter pago a alguém da CBF para que o volante Leomar fosse convocado para a seleção brasileira que disputou a Copa das Confederações em 2001. Depois, diante da repercussão do caso, disse ter pago a um lobista. Emerson Leão, técnico da seleção brasileira à época, disse não ter cabimento as declarações do cartola, mas entende que a denúncia deve ser investigada a fundo.
Bivar fez a "revelação'' em entrevista à Rádio Transamérica do Recife. "Eu empurrei um jogador para a seleção pagando comissão. Foi na época de Leomar", disse durante a entrevista. "Não vou falar o nome (de quem recebeu a comissão), não vou levantar defunto'.'
Mais tarde, o atual presidente do Sport, que também estava no comando do clube em 2001, alterou sua versão. “Todo mundo faz lobby no futebol brasileiro. Pergunte a Felipão, por exemplo, quantos procuradores ligaram a ele pedindo para que alguém fosse convocado. Essa é a realidade do futebol brasileiro. Com o Leomar, houve o pagamento para um lobista”, reafirmou.
Além de ser o treinador da seleção em 2001, Leão está atualmente sem clube. E ficou revoltado com a insinuação. "Ele falou besteira e agora deve ser apertado para dizer quem foi (que recebeu o dinheiro). Vai ter de provar, embora já tenha corrido daquilo que disse inicialmente'', afirmou o técnico ao Estadão.
Leão explicou que, no período em que esteve à frente da seleção, entregava a lista de convocados duas horas antes da divulgação para o então diretor de futebol, Antonio Lopes. "E ele é uma pessoa de altíssima honestidade, inclusive é delegado. Ninguém tinha acesso. Nem o presidente da CBF'', afirmou o treinador.
O técnico Leão não fala o nome de Ricardo Teixeira, presidente da entidade em 2001. Teixeira mandou Lopes demiti-lo quando a delegação estava no aeroporto de Narita, em Tóquio, para retornar ao Brasil depois do fracasso naquela Copa das Confederações. Leão se diz à disposição para qualquer esclarecimento e acrescentou: "Vocês podem ligar para os Estados Unidos e perguntar ao presidente da CBF sobre isso. Na minha época, não tinha lobby''.