Depois do Operário de Campo Grande, considerado o clube mais tradicional do Estado, desde os idos do Mato Grosso uno, que foi obrigado até a mudar de nome [a agremiação agora se chama Novoperário] para sobreviver, a crise de má gestão nos times de futebol, que já se tornou regra geral no País, chega também à região da Grande Dourados.
Ubiratan e Operário de Dourados já haviam sucumbido antes [o primeiro, inclusive, que estima-se seja dono de um dos maiores patrimônios na região Centro-Oeste], mas havia uma esperança ao final com os propósitos anunciados pelos dirigentes e políticos que resolveram encampar o projeto do Clube Desportivo 7 de Setembro. Da mesma forma como se reproduziu com o Clube Esportivo Naviraiense, da cidade do mesmo nome, e que chegou, em campo, a um efeito comemorado amplamente, após passar por duas fases da Copa do Brasil.
Agora, entretanto, passada a euforia das quatro linhas, a realidade volta a confirmar a tradição que segue cartolas e políticos, especialmente quando estes se autoproclamam dirigentes esportivos.
Dourados
Um cheque de R$ 7.500, sustado para evitar que fosse pago, está tirando o sono de um empresário do ramo de alimentos em Dourados, após sustentar jogadores, dirigentes e familiares durante a temporada passada. No blog do jornalista Rozembergue Marques, consta que Isaac dos Santos Dutra pretende entrar com uma ação judicial para receber, em espécie, o valor de cheque de número 000939, do banco Bradesco, emitido pelo presidente do 7 de Dourados, em março deste ano, e pré-datado para o dia 1 de maio. Dois meses depois, o credor não recebeu a conta e o clube sustou o pagamento do cheque. Benjamim Barbosa reage dizendo que não vai ‘tirar comida’ da boca dos filhos para pagar contas do futebol.
Naviraí
No Conesul do Estado, após a desclassificação na Copa do Brasil, o problema do Naviraiense agora também foi transferido para fora do gramado. Uma reunião, realizada quinta-feira (27), envolvendo jogadores e membros da diretoria, terminou até com ameaças de ambos os lados e a presença de policiais, segundo reproduz o jornal Gazeta MS. Segundo alguns jogadores, o presidente do clube, Diomedes Cerri, teria chegado a sacar uma arma, fato negado pelo dirigente, ainda conforme o jornal esportivo.

Torcedor do Naviraiense empurrou o time em todos os momentos
A dificuldade financeira do clube ficou evidente após a queda na competição nacional e a consequente perda da cota de R$ 400 mil, que seria paga pela CBF (Confederação Brasileira de Futebol) pela ascensão à terceira fase da Copa do Brasil. Sem o dinheiro, compromissos feitos com os atletas deixaram de ser cumpridos e o encontro desta quinta que era justamente para tentar um acordo para que os jogadores possam ser definitivamente dispensados, terminou sem sucesso, queixas de quem tem pra receber e abuso de autoridade dos dirigentes.
Recursos públicos
Um convênio firmado com a Prefeitura deveria ter assegurado o repasse de R$ 600 mil para custeio das despesas na competição nacional, da mesma forma que em Dourados a administração chegou a intermediar apoios empresariais expressivos para o 7 de Setembro. O mau gerenciamento de clubes, e entidades, que já provocou pedidos de instalação de CPIs (Comissões de Inquérito) no âmbito estadual e nacional, e gerou a queda de dirigentes outrora poderosos, é uma marca registrada e patenteada do esporte brasileiro, infelizmente, principalmente porque envolve recursos públicos. E não são poucos.