Qual o sentido de tirar jogadores que servem os profissionais para partidas nos juniores? Quem acompanhou ao espetáculo santista de 6 a 1 sobre o Atlético-MG, semifinal da Copa do Brasil Sub-20, possivelmente fez essa pergunta. A exemplo de partidas anteriores, o treinador Pepinho, sucessor de Claudinei Oliveira, reforçou sua equipe com Neílton (94), Pedro Castro (93), Gabriel Gasparotto (93) e Emerson (94), todos destaques na atuação de almanaque sobre os atleticanos na última quarta.
Apesar dos questionamentos, há bastante sentido na estratégia santista para a Copa do Brasil Sub-20. Um dos maiores propósitos para a criação do torneio, em 2012, é justamente ampliar as possibilidades para jogadores com idade júnior, até bem pouco tempo restritos ao Campeonato Brasileiro Sub-20 e aos Estaduais. Nesse sentido, a ampliação da idade limite da Copa São Paulo foi outra medida positiva para a formação de jovens jogadores. E o Santos faz uso perfeito desse expediente.
Ao recorrer aos jogadores que compõem o grupo profissional, mas recebem poucas oportunidades, o time júnior auxilia para que os jovens se estabeleçam dentro do clube e voltem mais bem preparados para disputar um espaço em cima. Esse momento, inclusive, é crucial, já que a diretoria santista possivelmente deve encaminhar as liberações de veteranos como Renato Abreu, Marcos Assunção e talvez até Léo e Durval, identificados com o clube.
A performance no Sub-20 dá força para todos os juniores e aumenta a pressão para que o Santos não se vire contra a sua história, como ocorreu em alguns momentos dos últimos dois anos. Em todos os clubes, inclusive os com tradição de revelar, a conquista de taças na categoria júnior traz repercussão e redobra sobre os profissionais a necessidade de reservar espaço para os campeões. Em fevereiro, o conselheiro Celso Leite até sugeriu que o troféu da Copa São Paulo fosse à sala de Muricy Ramalho.
Outro ponto importante nesse processo é de oferecer ritmo de jogo aos atletas jovens que normalmente não atuam nos profissionais e ficam restritos apenas a treinamentos, um problema seríssimo de vários clubes brasileiros. Em cima disso, parabéns novamente aos santistas em conseguir extrair motivação dos atletas, já que em muitos casos “descer” para jogar na base é visto como demérito.
E não há, para jovens ou veteranos, mérito maior do que ser campeão, sabor que na Copa do Brasil Sub-20 ficará entre Santos ou Criciúma. (Por Dassler Marques, para o Terra)