O Grêmio foi excluído por unanimidade da Copa do Brasil nesta quarta-feira (3), em julgamento realizado no STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), em razão das ofensas racistas de parte de sua torcida contra o goleiro Aranha, do Santos, em jogo disputado na última quinta (28), em Porto Alegre. A decisão marca a primeira vez na história do futebol que um clube é tirado de uma competição por causa de comportamento racista de torcedores. O Grêmio disse que vai recorrer ao Pleno do STJD.
O advogado do Grêmio no caso, Miguel Assef Filho, argumentou que não poderia haver uma "caça às bruxas" utilizando o clube gaúcho como bode expiatório, já que tirar o time da Copa do Brasil não acabaria com o racismo. Argumentando que os autores das ofensas foram "apenas quatro pessoas no meio de 30 mil torcedores", ele pediu a absolvição da equipe tricolor.
Porém, os quatro membros do tribunal votaram a favor da exclusão do clube do torneio, além de uma multa de R$ 50 mil. Já o árbitro da partida, Wilton Pereira Sampaio, recebeu uma suspensão de 45 dias e R$ 800 de multa por não ter relatado nada sobre as ofensas racistas contra Aranha na súmula original do jogo - apenas em um adendo no dia seguinte. Os auxiliares Kleber Lúcio Gil, Carlos Berkenbrock e Roger Goulart também foram suspensos, mas por 30 dias, e multados em R$ 500.
Também houve punições menores de R$ 4 mil para o Grêmio (por atraso na entrada do time em campo e papéis higiênicos atirados no gramado) e R$ 4 mil para o Santos (por atraso na entrada em campo no início do jogo e no intervalo). Além diso, todos os torcedores que participaram do episódio e foram identificados por imagens de TV estão proibidos de frequentar estádios por 720 dias, conforme reportagem do Terra.