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Trajetória, e teimosia, de Rivaldo projetam o Mogi Mirim

27 de outubro 2014 - 12h21 Por Redação Douranews
Trajetória, e teimosia, de Rivaldo projetam o Mogi Mirim

O vitorioso currículo de Rivaldo ganhou mais uma conquista. Segundo o próprio, do peso da Copa do Mundo de 2002. A comparação soa exagerada, mas resume a importância do acesso do Mogi Mirim à Série B para o pentacampeão. Um feito marcado por apostas, polêmicas, superação e um final feliz. Acostumado aos elogios dentro de campo, Rivaldo conheceu a desconfiança e passou por momentos de turbulência até voltar a sentir o gosto da glória. Chegou a receber críticas de todos os lados e tipos, mas seguiu em frente, sem abaixar a cabeça, e recolocou, à sua maneira, o Sapo entre os principais clubes do país seis anos após de assumir a administração. 

A missão nunca foi fácil. O pentacampeão mundial virou acionista majoritário do Mogi no fim de 2008, em acordo feito com a família do ex-presidente Wilson de Barros. Ficou a uma posição de cair para a Série A2 do Paulista logo no primeiro ano. Fez campanhas regulares nas temporadas seguintes e só deslanchou para valer em 2012, com o Título do Interior. De quebra, levou uma vaga à Série C do Campeonato Brasileiro, logo na estreia na quarta divisão. A sequência seguiu positiva, com a ida à semifinal do estadual em 2013 e a quase classificação ao mata-mata da terceira divisão. O sucesso, porém, quase foi por água abaixo justamente no ano da redenção. 

Rivaldo iniciou 2014 dentro e fora do Mogi. Em campo, vestiu a camisa 10 em algumas partidas e realizou o sonho de atuar ao lado do filho.Encerrou a carreira em meados de março para se dedicar exclusivamente à administração (o Sapo brigou para não cair no Paulista). Foi aí que o período mais conturbado da passagem do craque pela cidade começou. Como presidente, ele abriu mão da ajuda de Hélio Vassone, parceiro na montagem de elencos e contratações (problemas pessoais entre eles, dizem nos bastidores), e passou a tocar o clube sozinho, literalmente. A falta de colaboração o irritou, a ponto de Rivaldo se cercar de pessoas de confiança.

Colocou a atual esposa no cargo de vice, nomeou o filho Rivaldinho (atacante do time) como presidente do Conselho Deliberativo e formou o Mogi como quis. O estilo centralizador entrou em ação. Não à toa: o craque julga que, por investir R$ 600 mil por mês no clube, tem o poder para tomar todas as decisões importantes. As atitudes renderam atritos, mas todos com resposta na ponta da língua. Se a população da cidade torcia o nariz para a gestão de Rivaldo, ele apontava para a falta de apoio nas arquibancadas (a média na Série C foi de 500 pessoas). Se opositores mostraram supostas irregularidades da administração, o pentacampeão usou o investimento no clube para se defender. Sobrou até para a imprensa, barrada de acompanhar treinos em parte da temporada.

Rivaldo mostrou que, apesar de todos os problemas, é possível fazer o Mogi ser rentável com o futebol. Em 2015, o clube desponta como uma das forças do interior no Campeonato Paulista. Também será um dos poucos representantes do estado na Série B do Brasileiro, o que lhe garante um calendário completo, de janeiro a dezembro. O Sapo atrairá patrocínios, ganhará a cota de televisão e estampará o distintivo por todo o Brasil, como acostumou-se nos anos 90. Mérito de jogadores, comissão técnica e, claro, Rivaldo. Se ainda é possível evoluir na função, o presidente tem os resultados a seu favor, inegável argumento de defesa a quem sempre foi craque no ataque. Com reportagem do Globoesporte.com