
Para se conseguir êxito em qualquer segmento, não basta ter talento, cruzar os braços e esperar pelo sucesso. É preciso mais, sobretudo, força de vontade, persistência, perseverança, humildade, foco e apoio famíliar, ingredientes necessários para traçar uma carreira de sucesso.
A paciência, sem dúvida, é outro ingrediente primordial, antes de começar subir os degraus, além de, e principalmente, a direção de Deus, sem a qual, de nada adianta esforço, dinheiro, planejamento, tudo vai por agua abaixo.
Gabriel Estigarribia e Silva, 17, ou simplesmente Estigarribia, vem se tornando bastante popular em nível nacional por conta de sua ascensão no futebol brasileiro, um dos mercados mais competitivos em termos de profissão, em nível mundial. Mas o que muitos querem saber é: quem é Gabriel Estigarribia e Silva. Fruto da união de um jornalista/radialista com uma professora/advogada, nasceu no antigo hospital Policlinica Santa Cruz, hoje Hospital Cassems, na cidade de Dourados/MS.
Sua habilidade pelo esporte começou cedo. Aos três anos ganhou a primeira bola de futebol. Era seu brinquedo favorito, da qual não se desgrudava, sua fiel companheira. Pouco mais, com cinco anos, seus programas favoritos na TV eram os esportivos e transmissões independentes de futebol.
Em 2004, acompanhou do início ao fim a Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos, quando o Brasil beliscou o pentacampeonato. Com o pai, na varanda de sua casa, localizada no Jardim Maipu, e no gramado no quintal, praticava os fundamentos do futebol: chutes, domínio, cabeceio, entre outros. Era incentivado pelo pai, mas a iniciativa partia sempre dele. Dormia e acordava já com a bola no pé, tanto que obrigou a família a acabar com todas as plantas do quintal.
“Podia dar carrinho, bicicleta, dinheiro, enfim, qualquer agrado, que ele não dava importância, mas se fosse uma bola ou uma camisa de time de futebol, o papo mudava de rumo”, diz o pai Jonas Alves da Silva (o Silva Junior). “Não forçamos sua decisão, no entanto, ao observar sua alegria quando o assunto era futebol, entendi que teria de apoiá-lo incondicionalmente”, contrariando a vontade da mãe. Ela queria que o filho estudasse e que praticasse esporte sem compromisso. Não deixou de estudar e cumprir suas obrigações normais, como uma criança normal, mas sua obstinação pela bola era algo que chamava atenção.
Natação
Depois de um ano e meio, dois anos sendo treinado no quintal de casa, o pai o levou para fazer natação na Aquacenter (Escola de Natação do Bem-Hur Laprano), onde passou a frequentar semanalmente, desenvolvendo muito a atividade na água. Com a natação seu desempenho melhorou excepcionalmente, dia após dia. Também desde pequeno teve uma alimentação balanceada, baseada em vitaminas de frutas, mel, caldo de cana, suco natural, água de coco, mingau...
Mas, como toda criança, era avesso a ingerir verduras, frutas, preferia bolachas recheadas, refrigerantes ao invés de leite, doces e lanches em geral. “Não cortamos radicalmente, mas fizemos um trato: para cada hambúrguer, uma vitamina/batida: leite, abacate, mamão, banana, mel, aveia e maçã”, adianta o pai. Hoje ele se alimenta dessa forma regularmente.
Quer ver o zagueirão contente, convide-o para um churrasco, além, de pizzas e sorvetes, que claro, são ingredientes bem vindos.
Futsal
Depois de alfabetizado, também em casa, frequentou os primeiros anos na Escola Municipal Laudemira Coutinho de Melo, depois foi estudar no Colégio Objetivo, que funcionava na Marcelino Pires e depois mudou para rua Hilda Bergo Duarte. No Colégio Objetivo estudou ate a sétima série, depois completou o ensino fundamental em Xerém, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, onde reside há quatro anos.
No Colégio Objetivo passou a jogar futsal. Em quadra, suas atuações chamavam atenção pelo posicionamento, e principalmente, pelos chutes fortes. Disputou inúmeros torneios e campeonatos, se jogando ou no banco, não importava, desde que estivesse no grupo.
Campo
Final de 2000 passou a treinar futebol de campo na Escolinha do 7 Setembro, onde também ganhou títulos no futsal. “Independente dos treinos, seja na quadra ou em campo, em casa, todos os dias treinava os fundamentos iniciados quando tinha seis para sete anos de idade, como usar pé esquerdo, cabeceio, passe com qualidade, eram dezenas de batidas de bola na parede da varanda e do muro, usando os dois pés, os vizinhos que aguentassem o barulho”, resume Silva Junior. “Fui às vezes duro com meu filho, mas dentro da normalidade, sem jamais extrapolar seus limites”, adianta.
Dignidade
Como tive uma infância com enormes dificuldades, não perdi minha dignidade e não poderia deixar meu filho a mercê da sorte, e desde então, decidi participar passo a passo na sua formação. “Sempre deixei claro que ele não tinha obrigação de ser um atleta profissional, mas sim, um cidadão consciente de suas responsabilidades, sabendo respeitar seu espaço e o de outrem”, diz o pai. Outro ponto a ressalvar, é que como família, sempre procuramos nos respeitar, e seja o que for, decidimos tudo em conjunto, com bastante diálogo, respeito, humildade, e acima de tudo, temor a Deus e leitura diária da sua palavra, a Bíblia.
Na semana que passou, Estigarribia foi convocado e passou a integrar o grupo de treinamentos da Seleção Brasileira Sub-17 que se prepara para o Mundial do Chile.