Na casa de Cezário foram encontrados R$ 800 mil — Gaeco
Apontado pelo blog O Jacaré como “Imperador do futebol sul-mato-grossense”, o empresário e ex-político [ele foi prefeito da cidade de Rio Negro, no norte do Estado] Francisco Cezário de Oliveira foi preso na Operação Cartão Vermelho, deflagrada nesta terça-feira (21) pelo Gaeco (o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e ainda levou três sobrinhos para a cadeia.
No comando da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul desde 1998, com mandato até 2027, Cezário é apontado como chefe de organização criminosa que teria desviado R$ 6 milhões da entidade. O dinheiro é proveniente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) e dos cofres estaduais repassados através da Fundesporte (Fundação de Desporto de MS) a título de incentivo à participação dos clubes em competições oficiais.
A operação também chegou ao empresário Marco Antônio de Araújo, presidente do DAC (Dourados Atlético Clube), atual vice-campeão estadual da 1ª divisão do futebol sul-mato-grossense, credenciado a disputar a Copa do Brasil do ano que vem.
Equipes do Gaeco estiveram na casa de Marco Antonio e na empresa Invictus Sports, na rua José de Alencar, no Jardim Paulista, que confecciona artigos esportivos. A Invictus fornece uniforme de jogo aos principais times do futebol sul-mato-grossense. Oficialmente no nome da esposa dele, Patrícia Gomes de Araújo, Marco Antonio se apresentou como proprietário, conforme repercutiu o Campo Grande News.
O esquema
Francisco Cezário de Oliveira ainda guardava na casa dele, uma residência de alto padrão na Capital, o equivalente a R$ 800 mil em dinheiro vivo, apreendidos pelo Gaeco. Cezário tinha um salário estimado em R$ 50 mil mensais para dirigir a FFMS e também recebia o equivalente a R$ 100 mil por mês da CBF, a Confederação Brasileira de Futebol.
Em nota, o Grupo Especial disse que o desvio era feito através de saques em espécie de contas bancárias da Federação de Futebol, em valores não superiores a R$ 5 mil, para não alertar órgãos de controle. Integrantes da organização criminosa teriam feito pelo menos 1.200 saques, que ultrapassaram o montante de R$ 6 milhões. Retornos de diárias em hotéis onde os clubes hospedavam também era uma prática para favorecer os integrantes da organização criminosa.