Marciano Melgarejo, o "Branco", uma das lendas da histórica do futebol de Dourados e da região, morreu no meio da tarde desta quarta-feira (3) em Dourados. Meia-atacante de grande envergadura e elegância com a bola nos pés, ele se consagrou no futebol sul-mato-grossense pela genialidade, criatividade e habilidade entre os anos 60 e 70, até o final dos anos 90.
O jogador Marciano nasceu na cidade de Guaíra, no estado do Paraná, no dia 27 de novembro de 1947 e iria completar 79 anos de idade no final deste ano. Embora tenha nascido no interior paranaense, viveu ali apenas a fase inicial da infância. O pai dele era funcionário da histórica Companhia Mate Laranjeira, o que o trouxe ainda cedo para essa região.
Carreira
Foi nos times de base de Presidente Epitácio, para onde se transferiu ainda com 7 anos de idade, por conta também do trabalho do pai, que Marciano deu os primeiros passos no futebol de base. A trajetória regional começou no extinto clube 21 de Abril, na cidade vizinha de Fátima do Sul.
Posteriormente, transferiu-se para Dourados para defender o Operário Esporte Clube, mas a consagração veio no Ubiratan Esporte Clube, onde atingiu o auge da fama. Ele se tornou um dos maiores ídolos do clube, participando de momentos históricos como o título amador da histórica Taça Assis Chateaubriand e as grandes campanhas do início da década de 1970.
O esquadrão clássico do Ubiratan Esporte Clube, que reunia os jogadores Marciano, Manteiga e Varela é uma das escalações mais icônicas da história do clube e garantiu um tricampeonato estadual inesquecível para Dourados, nos anos 1990, 1998 e 99.
O nosso Ganso
Com Garrincha
Marciano era um jogador atrevido e de lances mágicos, que comparava seu próprio estilo de cadência e visão ao do meia Ganso, o ídolo revelado pelo Santos e atualmente defendendo o Fluminense carioca. Ele admitia que "jogava por divertimento" e não possuía um espírito rigidamente profissional, preferindo a boêmia e a diversão dos gramados.
Marciano era amante da boemia: com Zé Rico, da dupla sertaneja
Em maio de 1973, dividiu o gramado com o craque Mané Garrincha, ex-Botafogo e um dos ídolos da Seleção Brasileira dos anos 60 na passagem da Seleção de Veteranos do futebol brasileiro por Dourados. Marciano também fez várias exibições pelo Saudade FC, elenco formado por grupo de amigos do esporte regional.
Marciano ainda trabalhou na Prefeitura de Dourados, cedido depois para prestar serviços à Justiça Eleitoral onde, por muitos anos, chefiou o Cartório da 18a. Zona.


Marciano, o dono da bola nos gramados da Leda - (Foto: Arquivo)




