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“Forrest Gump” ecologista andou 25 mil km e visita o Douranews

07 de novembro 2011 - 19h00 Por Carlos Marinho
“Forrest Gump” ecologista andou 25 mil km e visita o Douranews
Há cinco anos literalmente “com o pé na estrada”, o ecologista inglês Martin Hutchinson, que chegou a Dourados semana passada, esteve visitando o Douranews, contando um pouco desta sua grande aventura. “No primeiro dia eu comecei a andar e gostei da idéia. Assim foi mais uma semana, um mês e agora, já são cinco anos com o pé na estrada”, contou Martin. Para ele, “o grande segredo é andar calmamente, para que se tenha tempo de observar a vida e aprender um monte de coisas diferentes”, define.

Martin, que é natural de Manchester, na Inglaterra, já conhece diversos países de outros continentes, mas agora seu objetivo é conhecer bem as Américas. Ele iniciou sua caminhada pelo México, saindo de Cancún e já passou por países como o Uruguai, Argentina e Paraguai, até chegar à fronteira com o Brasil. Depois de entrar no território brasileiro, ele chegou a Dourados e pretende ir a Campo Grande, de onde tem como próximo objetivo chegar a Antofagasta e Santiago, no Chile, passando antes pela Bolívia.

Martin conta que, dentre diversas outras coisas interessantes, o que mais lhe chama a atenção é a diversidade de culturas, mas que em todos os lugares que passou, o desrespeito ao meio ambiente é um fato comum. “Infelizmente as pessoas, independente de suas culturas, ainda não respeitam a natureza. A ganância pelo poder e pelo dinheiro está matando o planeta, com utilização de materiais que agridem o meio-ambiente, como por exemplo o plástico, utilizado em praticamente tudo que existe nos dias de hoje”, lamenta o inglês.

Para ele, é preciso se encontrar alternativas e que as pessoas passem a utilizar materiais recicláveis. “Precisamos saber utilizar e reaproveitar, como por exemplo as latas de cerveja, que transformo em fogareiros para aquecer meus alimentos”, diz ele, mostrando um pequeno vídeo feito em sua máquina fotográfica.

A decisão de caminhar modificou a vida de Martin, que explica: “Com esse meu projeto de caminhar aprendi [e acho que todos deveriam aprender] a observar melhor o que a natureza nos oferece. Estou aprendendo muito e aprendendo cada vez mais a respeitar o meio ambiente. Pensar exclusivamente em dinheiro e lucros, nos faz esquecer que há coisas muito melhores para aproveitarmos”, destaca o “Forrest Gump” quase tupiniquim.

Ele diz também que o planeta lhe oferece a felicidade verdadeira “Eu não tenho nada, mas estou muito feliz com minha vida. Espero que assim possa mostrar às pessoas que elas podem ser felizes apenas com o básico”, acrescentando que “eu não tenho nenhum strees, depressão ou outro problema de saúde com este meu novo modo de vida”.

Ao ser perguntado se teria deixado para trás familia, parentes, ou pessoas que faziam parte do seu dia-a-dia?  E hoje, tem se comunicado com elas? O que elas dizem?, Martin diz que “há cinco anos e três meses deixei para trás irmãos, irmãs, sobrinhos em outros países, como Canada, Nova Zelandia, Africa do Sul”, e tendo caminhado cerca de 25 mil quilômetros, passando por 21 países e utilizado 27 pares de sapatos [o último deles já está com 5 mil km rodados], Martin diz que ainda “andará” por mais cinco anos, e depois irá rever essas pessoas que compreendem, aprovam e elogiam sua iniciativa.

Depois de contar que anda diariamente entre 20 e 80 quilômetros, Martin alerta que “não há fim para a aprendizagem e para o planeta é o melhor professor que você nunca vai ter.  Ele vai te mostrar muitas coisas e vai ajudá-lo a compreender a si mesmo. É isso que temos que entender, pois o planeta cuida de nós como se fôssemos crianças, nos dando todas as coisas para a vida. Por outro lado, nós só recebemos, mas nunca damos nada de volta”, completando: “Agora nós nunca acordamos e agradecemos por mais um dia. Este planeta é no nosso céu . Sim, este é o céu. Mas 80 por cento das pessoas que compartilham desse paraíso querem e estão fazendo dele um inferno”.

Ao final, ele deixa uma mensagem àqueles que não cuidam do planeta. “Você não está apenas prejudicando a si mesmo; eu não tenho nenhum problema com sua forma de agir, mas lembre que está prejudicando os outros. Pare e pense que você chegou a este mundo para viver bem. E está deixando de contribuir para ele ser melhor ou pior. Você tem que perguntar isto a si próprio porque você está deixando para seus filhos a tarefa de enfrentar a bagunça que você fez.

Para os brasileiros ele diz: “Nunca estamos agradecidos. Sempre achamos outras pessoas têm mais do que nós. Olhem só, a Inglaterra é um ótimo lugar para viver, cheio de gente rica, mas se você for até lá e ver a realidade, você vai correr de volta para o Brasil. Aí talvez entenda o quanto você tem… muito mais aqui. Aí então você vai ser muito agradecido pelo que você tem. No passado, não sabíamos o dano que estávamos fazendo. Agora nós mudamos; cometemos um erro, mas se o resto do mundo insistir no mesmo erro, então que será o fim”.

Ele prossegue dizendo que “as pessoas começaram, felizmente, a perceber que é preciso preservar... A natureza exige o que chamamos de "toma lá, dá cá", para que ela possa nos prover de alimento, água, saúde, ar... Esta é a coisa mais valiosa que todos nós temos; não são carros, dinheiro, casa, namoradas ou namorado, computadores, etc. O homem pode substituir todas as coisas, mas ainda não encontrou outro planeta para substituir este. Temos sempre que correr, pois não há outro caminho a ser tomado. Temos que parar e enfrentar este problema em conjunto”, finaliza.