Além do horizonte existe um lugar bonito e tranquilo onde mora Gersy Volpato, de 82 anos, conhecida por sua dedicação à carreira de Roberto Carlos. Ela e a irmã, Maria Leonor Volpato, falecida há quatro anos, abriram mão de se casar por amor ao rei. A foto delas está na parede da Casa de Cultura. E também está na parede da casa de dona Gersy, onde ela tem quase um museu particular: a discografia completa, em discos e CDs, coleções de revistas e jornais, ingressos dos shows e muitas fotos. Cachoeiro de Itapemirim faz uma semana de festas para o rei.
Para chegar lá, é preciso disposição: a casa fica no distrito de Cobiça, área rural de Cachoeiro de Itapemirim, após um longo caminho pela estrada de chão até chegar à fazenda Entre Penha. Roberto Carlos está nas paredes, nas gavetas, nos armários e, principalmente, na memória. Dona Gersy conta que ouviu o cantor pela primeira vez no programa infantil da Rádio Cachoeiro, em 1950. Ela e a irmã ficaram encantadas e pediram permissão ao pai para ir assistir.
"A gente ia a pé até Cachoeiro, são mais de duas horas de caminhada, para assistir ele cantar no rádio. Ele tinha nove anos de idade! Todo domingo, nossa rotina era acordar bem cedo e ir para Cachoeiro. O programa começava às 10 horas. A gente se arrumava na casa da minha tia, que morava na cidade, e corria para a rádio para ver o Robertinho", conta.
Gersy conta que, muitas vezes, Roberto Carlos saía do programa e ia ver os jogos do Estrela do Norte, time de futebol da cidade. "E a gente ia atrás, acompanhá-lo no estádio Mário Monteiro, para ver futebol", lembra.
Quando Roberto Carlos foi para o Rio de Janeiro, as irmãs se programaram para ir ver sua estreia na rádio carioca. "Na volta, nós íamos para São Cristóvão e ele também. Decidimos dividir um táxi, mas Roberto ficou com vergonha porque não tinha dinheiro. Nós pagamos o táxi. Ele estava bem no início da carreira, tadinho. Imagina, hoje, eu dizer que já paguei um táxi para o Roberto Carlos", ri da lembrança. A reportagem é do portal G1.