Os índios kadiwéu, que reivindicam a ocupação das terras de fazendas na região de Porto Murtinho fixaram o prazo máximo até 15 de junho para que os fazendeiros providenciem a vacinação do rebanho que permanece nas terras contra a febre aftosa. Dia 15 também é o último dia da campanha realizada pelas autoridades sanitárias do Estado.
Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (16), o MPF (Ministério Público Federal) informa que está monitorando a situação na região e que muitas propriedades, embora esvaziadas do patrimônio mobiliário, mantém ainda os rebanhos de gado e animais de criação, como porcos e galinhas. Segundo o MPF, os proprietários parecem estar no aguardo de uma decisão favorável na ações de reintegração de posse ajuizadas na Justiça Federal em Corumbá e talvez por isso não tenham ainda retirado os rebanhos.
Mas, mesmo nessa situação, quem faz o manejo dos animais de grande porte (vistoria e transferência do gado para outras áreas com pasto de melhor qualidade), e providencia a manutenção e alimentação dos animais de pequeno porte são os próprios indígenas. O MPF garante que está registrando tudo em vídeos e fotos. Da área, formada por 23 fazendas, cerca de 4.000 cabeças de gado foram retiradas pelos proprietários.
“Uma rês foi morta para servir de alimentação aos indígenas que ocupam a área, mas esta foi doada por um dos empregados da fazenda Terra Preta, numa prova da relação amigável e civilizada que os indígenas mantêm com os ocupantes da área demarcada”, diz o Ministério Público.
De acordo com o relatório do MPF, uma equipe da Funai (Fundação Nacional do Índio) também chamou a atenção para uma particularidade do rebanho da área litigiosa: o gado ali encontrado seria registrado em nome de outras fazendas, embora dos mesmos donos, fora dos limites da TI (Terra Indígena) Kadiwéu, “muito possivelmente em razão da área em litígio estar registrada e possuir matrícula imobiliária em nome da União, o que geraria situação impeditiva de registro dos animais pelo Governo Federal”.
Febre aftosa
Quanto à questão da febre aftosa, segundo o relatório do MPF, os focos e suspeitas de focos da doença em Mato Grosso do Sul, quando ocorrentes, foram detectados fora dos limites da TI Kadiwéu, em rebanhos pertencentes a não índios. “Os kadiwéu, notórios criadores de gado e, portanto, absolutamente conscientes da imprescindibilidade da imunização (por meio da vacinação) contra a febre aftosa, nunca registraram uma suspeita sequer da doença”, diz o comunicado.