Há 150 dias o jornalista Paulo Rocaro, de 52 anos, era assassinado na avenida Brasil, no centro de Ponta Porã em Mato Grosso do Sul, na fronteira com Paraguai. Sem ninguém preso e no aguardo de resposta, a categoria e familiares do jornalista aguardam por justiça.
Segundo a Delegacia de Homicídios de Campo Grande e a delegacia de Ponta Porã, que investiga o caso, o motivo do crime teria sido político. Os disparos teriam sido efetuados por dois elementos desconhecidos.
Os jornalistas da fronteira, independente da motivação, buscam por uma resposta. “Queremos justiça, nosso colega nunca fez nada de errado. Ele apenas cobrava das autoridades mais respeito com a população da fronteira, estava sempre trabalhando”, dizem os líderes das entidades da área.
Já o jornalista Geraldo Ferreira, colega de profissão de Paulo Rocaro, que trabalhou desde 1986 com ele, faz um questionamento aos possíveis assassinos. “Todos nós jornalistas estamos sujeitos a ser a próxima vítima? Nada justificava esse crime. Ele faz muita falta, era um amor de pessoa. Um jornalista doce e amável”, disse emocionado.
Paulo e Geraldo tinham uma comunicação inseparável, relata o editor do jornal O Arrastão, de Antônio João. "Não acredito que as autoridades do meu Mato Grosso do Sul não vão colocar esse monstro na cadeia? Até porque as autoridades vêm dizendo que vão apresentar o culpado, cadê??”
As investigações do caso estão a cargo da Delegacia de Homicídios. Até o momento ninguém foi preso. Ha pouco o secretário de Segurança disse a imprensa que dentro de 45 dias o caso estaria solucionado. Em entrevista, o governador André Puccinelli disse, na última ida a Antônio João, a mesma coisa que o secretário.
“Se fosse no RJ a Polícia Civil já tinha desvendado esse crime. Mas em Mato Grosso do Sul, policiais sem estrutura... Ponta Porã conta com dois investigadores e Antônio João, três”, lamenta o jornalista, depois de conviver com a realidade carioca e constatar a precariedade da Segurança Pública no Estado.