Em documento enviado ao Douranews, o coordenador regional da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Ponta Porã, Silvio Raimundo da Silva, rechaça as afirmações do presidente da Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS), Eduardo Riedel, de que a Funai e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) são “instituições que incitam a ocupação de áreas legalmente tituladas e dão guarida para que situações ilícitas sejam institucionalizadas”.
Na semana passada, a Famasul divulgou informação de que a responsabilidade maior sobre as consequências das invasões de áreas como a terra Arroyo Kora, na região de Paranhos, na divisa de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, “é justamente de quem deveria zelar pelo bem estar dos indígenas”.
“A Funai não estimula invasões e tampouco a violência em áreas rurais”, reagiu o coordenador do órgão na cidade de Ponta Porã, e encarregado de cuidar dos interesses dos indígenas nessa área da fronteira. Os índios agem com independência, segundo a Funai, que não aceita o “preconceito” demonstrado pela entidade ao querer “negar-lhes o direito de ser senhores da própria história”.
Na sexta-feira (10), índios Guarani-Caiuá invadiram as fazendas Shekinah e Campina, exigindo a criação da terra indígena Arroyo Kora. Em decorrência da invasão, índios e agentes do Cimi atribuíram aos produtores o desaparecimento durante a invasão de um indígena adolescente e a posterior morte de uma criança. O MPF (Ministério Público Federal) mandou abrir inquérito para investigar os fatos.
A Funai presta assistência ao grupo, diz a nota da Coordenação Regional, acrescentando ainda que também ficou indignada com o episódio ocorrido no interior das fazendas, mas que deseja que os culpados sejam “exemplarmente punidos”.
11 áreas indígenas
O município de Paranhos possui área territorial de 130,2 mil hectares. As terras indígenas regularizadas e em processo de regularização já ocupam 24,5 mil hectares da área territorial do município, correspondendo a 18,82% do território total. Os índios da etnia Guarani-Caiuá querem a criação da uma nova terra indígena denominada Arroyo Kora, com 7.100 hectares. Os estudos para a criação da nova área estão sendo contestados na Justiça pelos proprietários.
MS tem atualmente 30 terras indígenas regularizadas, sendo que dessas, oito estão em fase de estudo para expansão. Outras 11 áreas estão em vários estágios de estudos para a criação de novas terras indígenas, sendo uma delas a Arroyo Kora.