O atentado que causou a morte do jornalista Paulo Rocaro completa 200 dias de impunidade amanhã (30). “A data será lembrada como um atentado contra a profissão de jornalista, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa e o direito constitucional do cidadão de ter informação de qualidade”, diz nota conjunta divulgada pelos Sindicatos dos profissionais de Dourados e de Mato Grosso do Sul.
Paulo Rocaro foi morto na noite de 12 de fevereiro, em Ponta Porã, cidade de Mato Grosso do Sul que faz fronteira do Brasil com o Paraguai, quando duas pessoas em uma moto dispararam contra ele 12 tiros de pistola 9 milímetros. Mesmo atingido com cinco tiros, Rocaro conseguiu chamar socorro e foi encaminhado para o hospital da cidade, onde morreu na madrugada.
Rocaro trabalhava há 31 anos na área jornalística, foi presidente do Clube de Imprensa da cidade e editor-chefe do Jornal da Praça e do site Mercosul News.
De fevereiro a agosto, o crime não foi elucidado. Imagens das câmeras filmadoras de lojas próximas ao local do atentado foram obtidas, quebra de sigilo telefônico foi realizada, análise dos arquivos do computador foi feita e demais fontes de informação foram verificadas pela Polícia Civil.
De acordo com a nota, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Secretaria de Segurança do Estado fizeram diversos pronunciamentos, por meio de seus representantes, sobre o empenho na investigação. Audiência pública sobre a violência contra a imprensa foi realizada em março na Assembleia Legislativa. Diversas organizações nacionais e internacionais de Direitos Humanos, como a ONU (Organização das Nações Unidas), cobraram providências.
“Até a ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, cobrou do Congresso Nacional a aprovação de projeto de lei que transfere para a esfera federal a investigação dos crimes de milícias e grupos de extermínio, classificando as mortes dos jornalistas ocorridas no início de 2012 como crime de extermínio”, diz a nota.
Os Sindicatos observam, entretanto, que no caso de Rocaro, “a família, colegas e sociedade continuam sem resposta. A impunidade só faz aumentar a sensação de insegurança dos colegas de profissão e da população em geral, que reclama justiça contra os mandantes e executores do assassinato de Rocaro”.
“O exercício do Jornalismo sofre, é fragilizado por essas agressões e reivindica melhores condições de trabalho, de segurança e de valorização quanto à importância da profissão para o Estado Democrático de Direito”, conclui.