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Ruralistas pedem indenização de fazendas invadidas por índios

20 de junho 2015 - 11h41 Por Jéssica Benitez/Douranews
Ruralistas pedem indenização de fazendas invadidas por índios

Sete dos 26 fazendeiros que tiveram área rural ocupada por índios em Sidrolândia, entraram na Justiça Federal em busca de indenização. Eles alegam que as terras não estão mais como quando foram invadidas – retomadas, na terminologia usada pelos indígenas – há dois anos.

À época, a União chegou a montar comissão para analisar e estipular valor das fazendas e, assim, comprá-las dos latifundiários, mas até hoje a negociação está travada. Agora, eles almejam reaver o montante que investiram, somado a juros de 1% ao mês desde que a ocupação ocorreu.

De acordo com o advogado dos ruralistas, Newley Amarilha, somente a multa resultará em R$ 500 mil ao mês. “Não queremos mais as terras, e sim o dinheiro. O acordo gorou, eles (União) dizem que as terras são nossas, por outro lado os índios invadiram e há impotência para tirá-los. Então que os deixem lá e nos indenizem”, disse, ressaltando que as áreas já estão descaracterizadas pelo abandono.

Os proprietários das fazendas São José, Buriti, Lindóia, Cambara e Três R entraram com ações na semana passada. Outros dois entrarão até a próxima semana e, por isso, os nomes das propriedades não foram revelados.

Newley criticou a morosidade da União em resolver o problema e destacou que o dinheiro que será pago aos fazendeiros sairá dos bolsos do cidadão, enquanto poderia ser investido em educação, saúde e segurança. “Foi negligência do governo federal, estamos perdendo dinheiro. Em seis anos, essa dívida vai dobrar de valor. É assunto muito cadente neste momento em que estamos falando de corrupção e mau uso do dinheiro público”.

Ele acredita que outros ruralistas devem acionar a Justiça nos próximos dias. Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), Mato Grosso do Sul tem a segunda maior população indígena do País, somando mais de 70 mil pessoas de várias etnias.

A comissão formada para dar fim ao impasse, composta por representantes dos fazendeiros, indígenas e integrantes do Poder Público, chegou a apresentar proposta de compra das áreas por R$ 78 milhões, mas houve divergência e nada ficou acordado. Até hoje nenhuma outra proposta foi apresentada. O advogado garante que somente as áreas que pertencem aos seus clientes somam mais de R$ 50 milhões.