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CPI quer tentar invalidar delação da JBS em reunião com Janot

24 de agosto 2017 - 14h28 Por Izabela Jornada/CE
CPI quer tentar invalidar delação da JBS em reunião com Janot Mesmo com as confissões, parlamentares vão continuar com as investigações — Victor Chileno/ALMS

Integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa, que investigam irregularidades fiscais do Estado, ainda estão aguardando resposta sobre o convite enviado, na última segunda-feira (21), ao procurador-geral da República Rodrigo Janot para se reunirem com o objetivo de invalidar delações dos irmãos Joesley e Wesley Batista, donos da JBS.

"Como que delações de pessoas que confessaram ter lesado o país podem ser aceitas?", disse o presidente da CPI, deputado Paulo Corrêa (PR).

O republicano refere-se às confissões dos empresários quanto as irregularidades fiscais praticadas pelo grupo JBS e que foram comprovadas com as investigações feitas até agora pela CPI.

A CPI já analisou dois dos cinco Termos de Acordo de Regime Especial (Tare) pactuados entre a JBS e o Estado. O advogado da empresa mandou documento aos deputados confessando o descumprimento dos compromissos, obrigatórios nos dois tares feitos com o governo.

Devido às confissões, os deputados cancelaram visitas que estavam programadas às plantas que foram beneficiadas e pedem a invalidação das delações. "Queremos essa reunião com o Janot. Esses 'caras' (irmãos Batista) denunciam 1.890 políticos e fica por isso mesmo?", indagou Corrêa.

Irregularidades

Em contrapartida aos benefícios concedidos pelo Estado, a JBS deveria ampliar as plantas, aumentar os abates e o número de funcionários nos frigoríficos.

"Mas nada disso foi cumprido por eles. Eles são réus confessos e vamos esperar o fim das investigações para pedir o ressarcimento total dos valores concedidos a empresa", finalizou Corrêa.

A CPI da JBS já chegou à conclusão de que 93% das notas apresentadas pela empresa para prestação de contas do Termo de Acordo de Regime Especial (Tare) firmado na administração de Reinaldo Azambuja são frias.

O ressarcimento pode chegar a R$ 250 milhões, além de responsabilização penal e cível que podem respingar em diretores da JBS.