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Ibovespa encerra pregão em baixa de 0,70%, a 113.001,16 pontos

09 de dezembro 2020 - 22h15 Por Estadão Contéudo
Ibovespa encerra pregão em baixa de 0,70%, a 113.001,16 pontos
Sob influência do mau humor externo, dadas as incertezas com relação ao pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos, e ainda, localmente, com dúvidas a respeito dos movimentos políticos no âmbito da questão fiscal, o Ibovespa teve um dia de perdas na sessão desta quarta-feira, 9. O principal índice à vista do mercado acionário doméstico conseguiu encerrar aos 113.001,16 pontos, queda de 0,70%. O giro financeiro foi de R$ 28 bilhões. Ainda assim, segundo avaliação do Itaú BBA, o Ibovespa não perdeu nenhum suporte inicial, entre 112.100 e 110.200 pontos. "Se perder esse suporte, o índice ampliará o movimento de realização de lucros e encontrará próximos suportes em 108.800 e 105.500 pontos", dizem os analistas gráficos da instituição. Para Adilson Bonvino, da Unnião Investimentos, o esfriamento do Congresso americano sobre o pacote de estímulos pesou, mas também a desconfiança sobre a resolução do problema fiscal no Brasil. "As declarações do ministro [da Economia], Paulo Guedes, dão alento imediato, mas temos um problema fiscal sério a resolver", ressaltou. Hoje pela manhã, em um evento do Milken Institute, Guedes, reafirmou que, de nenhuma forma, o governo vai transgredir os gastos e reiterou que os benefícios - leia-se auxílio emergencial - que ajudaram o Brasil a se recuperar serão removidos em 31 de dezembro. Outra declaração nesse sentido veio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que disse que não vai pautar a prorrogação do decreto de calamidade pública nem da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do orçamento de guerra. Ambas as normas valem apenas para 2020 e liberaram o governo do cumprimento das metas do orçamento devido à pandemia do novo coronavírus. No entanto, Maia, em entrevista coletiva, não poupou críticas ao governo no contexto da eleição para a presidência da Câmara, avisando que há risco de comprometer o andamento da pauta reformista. Em uma sessão já sob o signo da cautela, essas últimas declarações ajudaram na desvalorização do real frente ao dólar em um ritmo maior do que os demais pares emergentes. O dólar à vista fechou em alta de 0,87%, a R$ 5,1722. Na parte da tarde, foi a vez do presidente da Comissão Mista de Reforma Tributária, senador Roberto Rocha (PDB-MA), anunciar que a Reforma Tributária será apreciada no ano que vem. "De fato, há um medo do problema fiscal e político permeando os negócios e o mercado pode estar aguardando para ver", disse Bonvino, ressaltando que, especialmente hoje, há uma cautela embutida por conta da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). "Além do suspense com relação ao texto final da PEC emergencial, que, por enquanto, sinaliza compromisso do governo com o fiscal, mas sem dúvida deixou o mercado com um pé atrás vide a flexibilização do teto especulada no começo da semana, a queda de hoje deve-se especialmente ao balde de água fria com relação ao pacote de estímulos nos EUA", diz Rafael Ribeiro, analista da Clear Corretora. Os congressistas pretendem votar o pacote até essa sexta, junto ao novo orçamento, e o líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, afirmou que os congressistas democratas rejeitaram as propostas dos republicanos e também são contra a proposta de US$ 916 bi do atual secretário do Tesouro, Steven Mnuchin. "Essa discussão nos 45 do segundo tempo não era esperada pelo mercado e nem mesmo sinalizada por ambas classes congressistas, o que acaba gerando uma volatilidade adicional. A questão agora é saber se vão defender um plano maior (o que não duvido) e se haverá força suficiente para aprovar no fim de mandato", afirmou o analista da Clear. No dia nublado de hoje, ações de primeira linha de Itaú Unibanco e Bradesco conseguiram sustentar ganhos, as preferenciais das duas instituições financeiras subiram 0,59% e 0,27%, respectivamente. Após frequentar o terreno negativo, em sintonia com os contratos futuros de petróleo no exterior, os papéis ON e PN da Petrobras encerraram em alta de 0,11% e 1,05%. Dólar O dólar teve novo dia de volatilidade, chegando a cair a R$ 5,08 pela manhã. Mas nos negócios da tarde, firmou alta, encostando em R$ 5,20, com o aumento do pessimismo sobre um acordo em Washington para garantir a aprovação de um pacote fiscal nos Estados Unidos e ainda a elevação dos ruídos políticos no mercado doméstico. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não poupou críticas ao governo na tarde de hoje e disse que providenciará um bolo para comemorar um ano sem votação da PEC Emergencial, projeto do qual afirmou não ter visto ainda nem o texto e nem programação do Planalto para a votação. Ajudado pelos ruídos políticos, o real voltou a ser a moeda com pior desempenho no exterior, em uma lista de 34 divisas internacionais mais líquidas. Com a piora externa hoje, após o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, falar que a postura dos democratas na negociação é "esquizofrênica", operadores relataram diminuição de entrada de fluxo externo ao Brasil, em meio a fuga do risco pelos investidores. Assim, ajudou a pressionar ainda mais o câmbio, em um momento de aumento da demanda por dólar à vista para remessas de juros e dividendos ao exterior por empresas e fundos. No final do dia, o dólar terminou em alta de 0,87% no mercado à vista, cotado em R$ 5,1722. No mercado futuro, o dólar para janeiro fechou com ganho de 1,07%, cotado em R$ 5,1715. Na questão fiscal, Maia voltou a negar hoje a prorrogação do estado de calamidade e do orçamento de guerra, mas nas mesas de operação o clima é de mais ceticismo após as notícias desencontradas esta semana sobre a PEC Emergencial. Para o economista da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, o dólar só vai ficar de forma sustentada abaixo dos R$ 5,30 na medida em que as "pendências fiscais" forem equacionadas. Entretanto, o que se viu até agora sobre a PEC Emergencial, ressalta ele, só ajuda a aumentar a incerteza. Uma minuta do texto mostra, por exemplo, que a medida não incluiria redução de salários, desindexação e desvinculação orçamentária. No exterior, no começo dos negócios havia mais otimismo em torno da aprovação de um pacote nos EUA, embora pontos de divergência persistiam entre os republicanos e democratas, destaca a economista-chefe da corretora americana Stifel, Lindsey Piegza. Entre estes pontos, estavam a motivação de um pacote de socorro ao setor aéreo com recursos públicos e ainda limitações para fundos de pensão de estados que recebam recursos do pacote, destaca ela. Mas o clima azedou com o andamento dos negócios e o índice DXY, que mede o dólar ante divisas fortes, passou a subir no meio da tarde. Juros Os juros até que resistiram na maior parte da tarde à piora do humor no exterior, que pressionou moedas emergentes e ações, e da percepção de risco fiscal e político, com taxas curtas em baixa e longas estáveis. Mas acabaram sucumbindo no fim da sessão regular, quando a ponta curta zerou a queda para fechar de lado e os demais prazos, com alta moderada, configurando ganho de inclinação, na medida em que o dólar renovava máximas em direção aos R$ 5,20. No aguardo da decisão do Copom, logo mais, os agentes mantiveram no radar os noticiários em torno da vacinação contra a covid-19 e em Brasília. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 encerrou em 3,035% (regular), de 3,074% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 encerrou em 4,46% (regular), de 4,455% no ajuste de ontem. A taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 6,893% para 6,96% (regular). No fechamento da sessão estendida, as taxas estavam abaixo dos níveis da sessão regular, respectivamente, em 3,00%, 4,385% e 6,91%. Nas mesas de operação, a percepção é de que o Copom não deve trazer grandes surpresas, mantendo não somente a taxa Selic em 2% como também o forward guidance, segundo o qual não pretende reduzir o grau de estímulo monetário desde que determinadas condições sejam satisfeitas. "O que pode vir é um tom mais duro em relação ao fiscal, mas sem alterar o forward guidance", disse o gerente da Mesa de Reais da CM Capital Markets, Jefferson Lima. Um trecho sujeito à supressão é aquele que afirmava que "o espaço remanescente para utilização da política monetária, se houver, deve ser pequeno". "A questão preocupante segue na agenda fiscal, pois, pela projeção de inflação, ainda não há 'razão técnica' para o Bacen elevar a taxa básica de juros nos próximos meses, inclusive, achamos que o mercado continua 'esticado' para as expectativas de ajuste monetário", afirma o economista-chefe da JF Trust Eduardo Velho, que trabalha com o cenário de que o auxílio emergencial não será prorrogado. Nesse contexto, o mercado acompanha de perto a novela em torno da PEC Emergencial e as tentativas de drible à regra do teto de gastos, que vão de encontro ao discurso de austeridade fiscal. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), defensor das medidas de ajuste, fez hoje duras críticas ao governo, se dizendo perplexo com a isenção aos impostos de importação sobre a compra de armas e pistolas num momento em que a sociedade está em "pânico" com o aumento de casos e mortes decorrentes do novo coronavírus. O deputado também disse que seu grupo político ainda não escolheu um candidato à sua sucessão. No exterior, prevaleceu a cautela com os impasses das negociações entre Reino Unido e União Europeia em torno do Brexit e do pacote fiscal americano e, ainda, decepção com forte aumento nos estoques de petróleo. Para piorar, houve o rumor de que a Pfizer foi alvo de ataque cibernético, com foco nos documentos sobre o desenvolvimento da vacina para a covid-19. A busca por proteção levou o dólar a inverter a trajetória de queda e passar a subir até R$ 5,1977, influenciando também a curva de juros.