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Ibovespa tem alta, seguindo bom humor externo

17 de dezembro 2020 - 22h00 Por Estadão Contéudo
Ibovespa tem alta, seguindo bom humor externo
O Ibovespa até ameaçou a embalar em uma trajetória de realização de lucros mais firme na tarde desta quinta-feira, 17, mas o bom humor externo garantiu a manutenção dos 118 mil pontos - por consequência, o mais alto nível desde janeiro. A percepção de que o novo pacote de estímulo fiscal americano vai ser aprovado embasou a busca pelo risco, com os principais índices de Nova York em máximas históricas. O índice brasileiro terminou o pregão aos 118.400,57 pontos (+0,46%). A perda gradual de fôlego do Ibovespa teve início às 13 horas, depois de índice bater a máxima aos 119.027,05 pontos - o maior nível intraday desde 24 de janeiro. O processo não foi derivado de uma notícia específica, mas apenas resultado de um ritmo já esperado para esta etapa do ano. Passadas as reuniões de política monetária nos países centrais e emergentes, a afirmação contundente do resultado eleitoral nos Estados Unidos e os avanços com vacinas, o mercado encontrou hoje um espaço para tomar um respiro e iniciar um processo de realização. "A gente vê o mercado se lateralizando hoje. Não tem muito mais o que fazer, os investidores estão tirando o pé, liquidando as posições do ano", explica sócio e economista-chefe do banco digital Modalmais, Álvaro Bandeira. "Tivemos um fluxo muito grande em novembro, de R$ 33 bilhões, em dezembro até o dia 15 de quase R$ 10 bilhões... Agora, vamos ficar de lado", observa. Para o economista-chefe da Messem Investimentos, Gustavo Bertotti, os 118 mil pontos indicam uma tendência boa para o Ibovespa, reverberando a melhora do mercado externo. Ele nota avanços no debate sobre o novo pacote de estímulos nos Estados Unidos, com os senadores querendo resolver a questão antes do fim de semana. "Alguns dados, como o de seguro-desemprego hoje, reforçam a necessidade desta ajuda", diz, citando a alta de 23 mil nos pedidos de ajuda por desempregados americanos na semana passada, acima do que o esperado pelo mercado. Nesta esperança por nova rodada de estímulos, destaque também para o comportamento das commodities hoje - o que impacta diretamente as empresas brasileiras a esses setores relacionadas. Impulsionadas pelo petróleo, as ações PN da Petrobras subiram 0,18% e ON avançaram 1,26%. Com minério em alta, a Vale ON avançou 1,14 e CSN ON - que tem um braço importante na exploração de ferro - teve ganho de 3,70%. Na contramão, com o dólar em queda, as ações de grandes exportadoras de carne tiveram baixa. Minerva ON cedeu 1,26%, JBS perdeu 0,13% e Marfrig recuou 1,17%. Juros Os juros terminaram o dia perto da estabilidade, com viés de queda nos mais longos. Estiveram em baixa durante a maior parte da sessão, mas na última hora de negócios o movimento perdeu força. Sem novidades no noticiário doméstico à tarde, as taxas migraram para os ajustes de ontem, enquanto Wall Street também reduzia o fôlego. Nas mesas de renda fixa, a percepção é de que o mercado já está entrando no "modo fim de ano", passado o último leilão do Tesouro em 2020 nesta quinta-feira. A oferta de prefixados foi pouco mais da metade da operação passada, o que ajudou no fechamento da curva, apoiado ainda no bom humor externo com desempenho firme das moedas emergentes e índices em Nova York renovando máximas históricas. O Relatório Trimestral de Inflação (RTI), destaque da agenda local, foi considerado neutro para o comportamento dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), ao apenas endossar o que já tinham trazido o comunicado e a ata do Copom. A taxa do DI para janeiro de 2022 encerrou em 2,97% (regular)e 2,96% (estendida), de 2,989% ontem no ajuste, e a do DI para janeiro de 2023 passou de 4,355% para 4,40% (regular) e 4,39% (estendida). O DI para janeiro de 2025 encerrou a regular e a estendida com taxa estável em 5,93% e o DI para janeiro de 2027 terminou com taxas de 6,74% (regular) e 6,73% (estendida), de 6,76% ontem. "O mercado de juros operou em linha com o dólar e o último leilão de títulos do ano foi pequeno, o que retirou pressão das taxas", resumiu o sócio-gestor da LAIC-HFM Vitor Carvalho. O Tesouro ofertou 24,8 milhões de prefixados - 22 milhões de LTN e 2,8 milhões de NTN-F - ante lote de 47,5 milhões na semana passada, com o risco do mercado (DV01) caindo de R$ 8,34 milhões para cerca de R$ 6 milhões, segundo a Renascença. Segundo Carvalho, os juros tiveram um rali recente respaldado nas indicações dos bancos centrais de que a liquidez seguirá farta por muito tempo, mensagem esta reforçada ontem pela entrevista do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. Quanto ao fiscal, o mercado tende a continuar relativizando os riscos enquanto o governo mantiver o discurso de que o teto de gastos será mantido. "Tivemos esse 'fechadão' recente nas taxas, mas, sem melhora estrutural, é possível imaginar alguma realização nos próximos dias", disse. Na seara macroeconômica, tanto o RTI quanto a entrevista coletiva do presidente do BC, Roberto Campos Neto, endossaram a ideia de que o forward guidance da política monetária será retirado em breve, mas houve algum ajuste quanto ao timing em relação ao que se interpretou dos documentos anteriores, com a aposta de que seria já em janeiro perdendo força. A autoridade monetária pareceu um pouco mais cautelosa com o ritmo de atividade em 2021 e, além disso, não teria incorporado ainda por completo toda a apreciação cambial recente e que deve ajudar a inflação a arrefecer. A percepção de que a Selic não vai subir imediatamente após o BC levantar a prescrição futura está mantida. Dólar O dólar testou novas mínimas nesta quinta-feira, 17, no mercado internacional e também recuou ante o real. O índice DXY, que mede o comportamento da moeda americana perante divisas fortes, caiu na tarde desta quinta-feira abaixo dos 90 pontos, o que não acontecia desde abril de 2018, com os investidores animados pela chance de um pacote de estímulo fiscal nos Estados Unidos e com o avanço das negociações comerciais entre o Reino Unido e a União Europeia, que prosseguem amanhã. Além do dólar mais fraco lá fora, houve novos relatos de entrada de fluxo para o Brasil, em dia que o Ibovespa chegou a bater em 119 mil pontos. As entradas em dezembro na Bolsa já encostam em R$ 10 bilhões. O dólar à vista fechou em baixa de 0,58%, a R$ 5,0788. No mercado futuro, o dólar para janeiro recuou 0,49%, a R$ 5,0570. A entrada de fluxo garantiu que mesmo com maior demanda por dólar à vista, para remessas de fundos e empresas, além de importadores, não houvesse falta da moeda americana, relatam profissionais das mesas de câmbio. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse hoje que a instituição faz intervenções no mercado apenas quando há problemas de liquidez e pontuou que nos últimos meses o País voltou a receber investimentos de portfólio (bolsa e renda fixa) e disse que, "aparentemente, as primeiras semanas de dezembro também estão sendo de fluxo positivo para o Brasil". "Os participantes do mercado continuam a apostar em alguma forma de estímulo no Congresso antes dos feriados de final de ano", destaca o diretor de moedas em Nova York da BK Asset Management, Boris Schlossberg. Com isso, cresce a busca por ativos de risco e o dólar tem novo dia de fraqueza quase que generalizada. Considerando a euforia com o pacote hoje e nos últimos dias, a falta de um acordo até o Natal pode provocar uma estresse nos mercados, alerta o executivo. Para o economista da JF Trust Gestão de Recursos, Eduardo Velho, o dólar fraco lá fora, a sinalização de que o Federal Reserve vai manter o programa de ativos, além do avanço da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) no Congresso aqui abrem espaço para mais entrada de capital externo. Assim, deixam o dólar mais perto dos R$ 5,00. Em um ambiente de elevada liquidez externa, os estrategistas de moedas do Bank of America avaliam que as moedas da América Latina tendem a ter bom desempenho pela frente, pois a economia da região está se recuperando. Real e peso mexicano são as divisas preferidas e o banco americano afirma estar comprado nelas, ou seja, apostando em sua valorização.