O ano que acaba amanhã fez muitas vítimas. E a pandemia que sacrificou milhares de pessoas e a economia também afetou diversos automóveis. Na lista de perdas há até modelos que num passado recente eram garantia de sucesso.
Esse foi o caso, por exemplo, do Golf. Após 27 anos no Brasil, chegou a hora do adeus ao hatch médio da Volkswagen. O modelo pode até regressar um dia, mas seu futuro por aqui é incerto. A única convicção é de que o carro não voltará a ser produzido na fábrica da empresa em São José dos Pinhais (PR). Nessa planta forma feitas a quarta e a sétima gerações.
Assim como as demais fabricantes, a alemã está concentrando esforços nos SUVs. A nova cartada é o Taos, que chega no segundo trimestre do ano que vem, importado da Argentina. O novato ocupará a mesma faixa de preços do Golf, e vem para brigar com o Jeep Compass.
No Brasil, o Golf ainda ganhou uma pequena sobrevida com a importação da Alemanha do híbrido Golf GTE, no final do ano passado. A marca trouxe um lote de 99 unidades do modelo recarregável em tomadas. Mas tratava-se de um rescaldo, já que ao mesmo tempo que chegava ao Brasil o modelo deixava de ser produzido na Europa.
Outro tradicional modelo da Volkswagen que deixou de ser vendido no País é o sedã Passat, um dos veículos mais longevos à venda no Brasil. Em agosto, a montadora alemã interrompeu a sua importação, encerrando uma longa história, que começou em 1974, com o início da produção local do veículo. A disparada do dólar foi a pá de cal.
Por aqui, o sedã tem no Tiguan Allspace uma espécie de sucessor, já que o SUV médio atua na mesma faixa de preços. Mas apesar de seguir em produção no exterior, o futuro do Passat não está claro. Há a possibilidade de o clássico da marca dar lugar a um sedã 100% elétrico.
Cobalt
Com a chegada do Onix Plus, há um ano, a aposentadoria do Chevrolet Cobalt era uma questão de tempo. Mas, apesar da despedida silenciosa, o sedã cumpriu bem o seu papel. Desde o lançamento, em 2011, ele se destacou pela oferta de espaço a bordo. Com porta-malas de 563 litros, o Cobalt foi um dos carros favoritos entre taxistas e grandes famílias. O modelo era produzido na fábrica de São Caetano do Sul (SP).
March
O hatch compacto da Nissan chegou em outubro de 2011 com o apelo de ser o primeiro hatch compacto de uma marca japonesa no Brasil. A princípio, o March veio importado do México, beneficiado pelo acordo de livre comércio entre os dois países, o que o isentou do imposto de importação.
Entretanto, o modelo nunca chegou a figurar entre os mais vendidos, ficando atrás de vários concorrentes, como Chevrolet Onix, Ford Ka, Hyundai HB20 e Renault Sandero. Nos últimos anos, ganhou transmissão CVT e central multimídia, mas as novidades não bastaram. Dessa forma, a Nissan optou por aposentar o March em setembro, encerrando a sua produção na fábrica de Resende (RJ). A marca está decidida a apostar nos SUVs e vai produzir o Magnite, utilitário criado na Índia que será menor e mais barato que o Kicks.
C4 Lounge
O sedã médio da Citroën chegou em 2013 da Argentina, para substituir o C4 Pallas. Mas, apesar de ter entre seus trunfos um bom motor 1.6 turbo, teve passagem tímida. No período, foram vendidas pouco mais de 30 mil unidades.
Palio Weekend
As peruas nacionais morreram no Brasil. Este foi o último ano da popular Fiat Palio Weekend, única representante do segmento. O modelo deixou de ser produzido na fábrica de Betim, em Minas Gerais. E a montadora já está trabalhando no seu substituto: o aguardado SUV compacto da marca italiana.
Embora as vendas tenham desmoronado nos últimos anos, a Fiat Weekend, como vinha sendo chamada, foi o carro de muitas famílias no País. Ela já havia perdido o nome Palio, mas em termos de mercado vencia com facilidade a oponente VW SpaceFox, que já havia se aposentado. Seu ponto forte era o porta-malas de 460 litros.
Ao longo dos 23 anos de produção, ela passou por muitas reformas e criou tendência com a linha Adventure, de 1999, que rapidamente caiu no gosto dos brasileiros. Os atuais aventureiros devem seu sucesso a ela.
Journey
A situação é curiosa: o site brasileiro da Dodge ainda está no ar, porém não há veículos à venda. A explicação é que a marca deixou de produzir no México o crossover Journey, que era comercializado no mercado brasileiro desde 2008.
Durante todo esse tempo, o SUV foi vendido com o veterano motor 3.6 V6 Pentastar de 280 cv. Sem um substituto, a marca fica sem carros no País. O SUV também chegou a ser vendido por aqui com o escudo da Fiat e o nome Freemont.
Fusion
O fim do Ford Fusion já estava anunciado desde o início do ano passado, quando a marca informou que deixaria de produzir automóveis para se dedicar aos SUVs e picapes.
O sedã mexicano chegou em 2006, apenas um ano após ser lançado nos Estados Unidos. O Fusion veio para substituir o Mondeo. Em 2010, entrou para a história ao ser o primeiro automóvel com propulsão híbrida comercializado no País.
Em 2013, chegou a segunda geração, que manteve praticamente o mesmo desenho da anterior. E permaneceu assim até o recente fim da produção.
Elantra
A sétima geração do sedã médio da Hyundai teve apenas 82 unidades vendidas em 2019. Assim, em janeiro deste ano a Hyundai retirou o Elantra do site brasileiro.
O sedã estreou aqui em 2011 com a sexta geração, e tinha um futuro promissor. Entretanto, ele acabou não conseguindo fazer frente aos medalhões Honda Civic e Toyota Corolla. E o sucesso dos SUVs foi a gota d'água. A Hyundai talvez até volte a vender o Elantra no Brasil algum dia. Porém, não há prazo para isso acontecer.
Volvo V60
Lançada no fim de 2018, a perua de luxo da Volvo chegou impecável, em sua melhor forma. Entretanto, as vendas do modelo não decolaram. E com o câmbio desfavorável a marca sueca decidiu encerrar sua importação.
Câmbio automatizado
O ano também marcou o fim das transmissões automatizadas de embreagem simples nos carros nacionais. A Fiat foi a responsável por "apagar a luz", ao deixar de oferecer a opção GSR (novo nome da Dualogic) no sedã Cronos. O sistema era uma opção mais barata em relação aos automáticos convencionais. Além da Fiat, chegou a ser largamente utilizado pela Volkswagen (I-Motion), Chevrolet (Easytronic) e Renault (Easy'R). Ao contrário de modelos como o VW Golf, por exemplo, que sempre teve uma legião de fiéis, a despedida do câmbio automatizado não deixa saudades, por causa das mudanças de marcha pouco suaves. Por isso, o fim acabou sendo a boa notícia do ano.