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Baixos salários afastam do emprego formal na construção civil

27 de julho 2011 - 22h08 Por Carlos Marinho
Baixos salários afastam do emprego formal na construção civil
“Os baixos salários afastam os profissionais do emprego formal na construção civil”, afirmou Élton Moraes Valente Júnior, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil ao Douranews, após ser questionado sobre o nível de trabalhadores que estão no mercado formal, com carteira assinada.

Enquanto uma pesquisa nacional aponta que a construção civil é o setor que mais empregou, para o presidente essa realidade não chega a Dourados. “A nossa convenção coletiva garante um piso de R$ 815,00 e isso acaba fazendo com que os trabalhadores se mantenham na informalidade, onde muitas vezes chegam a triplicar este ganho”, apontou o sindicalista.

Ele conta que na região da Grande Dourados existem cerca de 15 mil trabalhadores no setor, mas que apenas 30% deles (4.500) trabalham registrados.

Para tentar reverter este quadro, o presidente diz que existe um projeto de criar uma Escola Técnica Profissionalizante, mas mesmo assim as dificuldades são grandes, já que ao saberem que, mesmo qualificados, os trabalhadores continuarão a receber salários baixos, nem à escola eles querem ir, o que vem dificultando a sua criação. “Muitos profissionais estão mudando de área, indo para as indústrias, como a de alimentação, ou para as usinas”, aponta.

Para Elton, a classe precisa de mais união, “pois só assim teremos como lutar para, na época da discussão do acordo coletivo, elevarmos de forma consistente o valor do piso salarial”, afirma.

A falta de qualificação, além disso, acaba sendo responsável por diversas falhas ou transgressões de normas estipuladas para os serviços da construção civil. "Com profissionais qualificados e unidos, teremos mais força ainda para reivindicar salários que realmente compensem e assim trazermos de volta os companheiros que estão indo para outras áreas ou que permanecem no trabalho informal", ressalta Élton.

O salário base de R$ 815,00 abrange todos os oficiais pedreiros, encanadores, armadores e carpinteiros, entre outros.