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Alguma coisa anda fora da (novíssima) ordem mundial.

16 de novembro 2011 - 10h38 Por Andre Guilherme Pereira Perfeito
Alguma coisa anda fora da (novíssima) ordem mundial.

Neste início de semana, que no Brasil vai começar acabando, tem tudo para inaugurar uma certa paz de espírito nas inquietações do investidor: na Grécia um novo Primeiro Ministro parece comprometido com as reformas, na Itália – além da queda do controverso Berlusconi – o Senado e a Câmara em Roma aprovaram um orçamento mais condizente com o fluxo de caixa descontado esperado pelos investidores onde o não consumo de hoje pode gerar o excedente para o amanhã.

Resumo o sentimento: está tudo certo e nada resolvido.

Mas algo persiste no incômodo, algo ainda parece não fechar a conta. O fenômeno deste mal estar se revela, entre outros canais, pela preferência pela liquidez expressa, e pesada, na taxa zero dos EUA, apesar deste mesmo EUA ter sido rebaixado e estar evidentemente em inoperância política com uma Câmara rachada e onde situação e oposição estão em plena guerra fratricida pela eleição de 2012.

Os títulos de 10 anos dos EUA estão em níveis ainda muito baixos, mais baixos ainda que o período da quebra dos irmãos Lehman.

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O futuro voltou-se contra si mesmo ao impedir que no presente floresça sua força. A liquidez não vasa para a produção e a máquina gira em falso reafirmando apenas velhos lugares comuns. Como já disse aquele diplomata, com toda razão, o dinheiro de quem não dá é o trabalho de quem não tem.

Os EUA aparecem como o fiel depositário do futuro, e isto fica claro pelo fato de que, apesar daquela economia não crescer, ela ainda é financiável ao arrepio dos argumentos fiscalistas. O déficit orçamentário e comercial não deixam de crescer, e se usássemos os mesmo critérios quase-moralistas que usamos para apontar o dedo na Europa para os EUA o sistema não se manteria em pé.

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Não espero pelo dia que todos os homens concordem, mas o gráfico acima, somado a taxa zerada dos treasuries, configuram para mim argumento suficientemente forte para dizer que o aperto fiscal na Europa não é necessariamente a melhor forma de lidar com a crise.

Como o problema nunca é a dívida em si, mas seu nível relativo ao PIB, existem dois caminhos para resolver esta razão. Ou os europeus diminuem a dívida ou fazem o PIB crescer. Escolheram diminuir a dívida, mas incorre aí um cálculo diferencial importante.

Se, ao apertarem as contas públicas a dívida diminui, o que importa saber é se esta diminuição da dívida não será acompanhada por uma diminuição do PIB em magnitude ainda maior. Se este for o caso o resultado será desastroso.

A produção das principais economias industriais retrocedeu aos níveis de 2003/04 e no caso da Europa é ainda mais severa a queda.

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Soma-se a isto que, diferentemente dos EUA que tem no dólar o anti-depressivo correto para uma economia hiper-consumista, a Europa não consegue mais gerar os superávits comerciais necessários para “bancar” a união monetária.

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Esta novíssima ordem mundial ainda não nasceu de fato, mas é inegável que uma estrela já anunciou o nascimento do rebento. A ordem política no mundo árabe parece ter alterado de pólos (acompanhemos com atenção esta história muito mal contada sobre o programa nuclear do Irã), os EUA garantem sua moeda de forma tautológica, emitindo mais da mesma valendo-se do seu poderio na imaginação popular, e a Europa sobrevive do seu ativo intangível (da sua reputação).

Curioso pensar que a França ainda é AAA sendo que os EUA são um pouco menos. Se verdade fosse os juros reagiriam no mesmo sentido. Pelo visto as ideias não correspondem aos fatos.

O mundo tem que enfrentar a questão de frente; uma nova ordem é urgente. A boa nova é que desta vez esta nova ordem é mais inclusiva e pode ser negociada de forma pacífica.

Assim esperamos.

* O autor é Economista-chefe da Gradual Investimentos