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Governo lançará campanha para estimular consumo do etanol

02 de julho 2012 - 19h08 Por Redação Douranews
Governo lançará campanha para estimular consumo do etanol

A decisão do governo de evitar, por meio de subsídios à gasolina e ao diesel, que a alta dos preços do petróleo chegue ao consumidor, pode conter a inflação, mas põe em xeque um dos projetos mais ousados do Brasil, o programa do etanol. Na bomba, o álcool tem perdido a disputa com os combustíveis fósseis. Desde janeiro do ano passado, sai mais barato para o brasileiro usar gasolina, de acordo com o monitoramento da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Com isso, a produção de etanol vem perdendo fôlego e o setor admite estar em crise. Por isso, o governo deve lançar até setembro um conjunto de medidas para estimular o segmento. Em estudos, a retirada do PIS e da Cofins, desoneração de investimentos e juros mais baratos.

Se em 2009 o etanol abastecia 54% da frota nacional de veículos médios, hoje, no país do carro flex, esse percentual já não passa de 35%, segundo dados da Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), embora 85% das vendas de veículos leves da indústria automotiva sejam de modelos flex, que já somam cerca de 50% da frota nacional.

“O aumento da gasolina agora levaria o consumidor para o álcool, e não há álcool para suprir a demanda. Além de pressionar o preço da gasolina, ia subir também o do álcool e, por tabela, o da gasolina novamente, uma vez que anidro usado na mistura acompanharia o hidratado”, disse um integrante do governo.

A indústria vive um dilema. Os empresários atribuem a queda na produção, em parte, à crise financeira de 2008 e às intempéries climáticas dos últimos dois anos. Mas também apontam a falta de previsibilidade e de segurança jurídica como obstáculos a novos investimentos. Alegam que não há políticas claras para o etanol e se queixam de terem sido deixados em segundo plano nos últimos anos. Eles avisam que, se não forem investidos R$ 115 bilhões nos próximos dez anos, não será possível atingir um equilíbrio no mercado de combustíveis. Só assim o país poderia dobrar a sua capacidade de produção, de um bilhão de litros por mês, e ainda ter um excedente para exportar, conforme reportagem do jornal O Globo.