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Cana ainda é o melhor caminho do agronegócio, diz Biosul

12 de abril 2013 - 12h53 Por Redação Douranews
Cana ainda é o melhor caminho do agronegócio, diz Biosul

O presidente da Biosul (Associação dos Produtores de Bionergia de Mato Grosso do Sul), Roberto Hollanda, disse ontem (11), em Dourados, durante palestra no ‘Workshop CanaMix Agroindustrial’, que 80% da cana plantada no Estado fica na região da Grande Dourados. Por isso, segundo ele, a cidade é muito importante para o setor sucroenergético no Estado.

Hollanda apresentou o plano do setor sucroenergético do Estado para a safra 2013/2014. Ele prevê uma área plantada com cana no Estado de 738 mil hectares, um crescimento de 15% em relação à safra 2012/2013. Mas no município de Dourados a área deve cair, segundo a estimativa da Biosul, de 56 mil para 50 mil hectares. Entretanto, ele não considera isso preocupante, mas sim sadio por causa da concorrência com a soja e o milho.

O que é preocupante, segundo Hollanda, é a produtividade da cana, que tem caído no Estado, de 87 toneladas por hectare em 2009/2010 para 74 este ano e pode cair para 70 na próxima safra. Há o fator clima, segundo ele, que tem sido instável com períodos de seca ou de muita chuva, mas também há outros fatores que estão em análise.

A previsão para a próxima safra é de moagem de 44,1 milhões de toneladas de cana, com mix de produção de 64% para etanol. É esperada uma produção de 2,197 milhões de toneladas de açúcar, de 684,6 milhões de litros de etanol anidro e 2,352 bilhões de litros de etanol hidratado. São 24 usinas em operação no Estado. Dezesseis delas estão na região de Dourados, mostrou o presidente da Biosul.

Hollanda destacou em especial a questão da produção de energia elétrica. Hoje, segundo ele, todas as usinas do Estado são autosuficientes em produção de energia e 11 geram excedentes. A perspectiva é de uma produção de 1.682 megawats de energia na próxima safra. “E energia limpa”, afirmou.

Destacou ainda o avanço da mecanização no Estado. Nesta safra, 94% das lavouras de cana do Estado terão colheita mecanizada, contra 89% da safra 2012/2013. “A indústria da cana já nasceu de forma correta em MS”, garantiu, acrescentando que a cultura só não é, ainda, 100% mecanizada porque faltam máquinas, operadores e ainda é necessário um processo de capacitação dos empregados que atuam na colheita manual para que possam trabalhar em outros setores.

Hollanda informou também que a indústria da cana emprega 30.500 trabalhadores diretos e 90 mil indiretos no Estado, é o maior salário da agricultura, o terceiro melhor salário da indústria e que qualificou em torno de dois mil trabalhadores no ano passado.

“Mato Grosso do Sul tem ainda 8 milhões de hectares de terra para serem utilizados na produção. A cana pode ocupar parte dessa área também”, disse, destacando o potencial de crescimento. “Há ainda a área de álcool-química e a geração de energia da palha da cana. Há muito o que crescer”, estimou Roberto Hollanda.