A Prefeitura de Dourados, através da Secretaria de Agricultura Familiar e Economia Solidária, está desenvolvendo um projeto de apoio à retomada da piscicultura em Dourados. Com isso, o prefeito Murilo Zauith (PSB) quer incentivar mais uma alternativa de renda no campo, sobretudo para os pequenos produtores e indígenas.
A proposta, conforme o secretário de Agricultura Familiar Landmark Ferreira Rios, é possibilitar que os 700 hectares de lâmina de água existentes voltem a ser utilizados para a produção de peixes e novos açudes sejam construídos.
A Prefeitura já está autorizada, pela Lei 3.698, de 12 de julho, a empregar máquinas públicas nas pequenas propriedades para construir ou reformar açudes destinados exclusivamente à piscicultura.
Pela lei, foi criado o “Programa Municipal de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Aquicultura Familiar”, que autoriza a Prefeitura a utilizar suas máquinas por até 12 horas para a construção ou adequação dos tanques.
Para a participação no programa, o produtor interessado deve fazer a inscrição na Secretaria de Agricultura Familiar e Economia Solidária. Quando começar a produzir, o piscicultor devolve o investimento da Prefeitura em espécie, em produto ou ainda em óleo diesel. Isso permite que o programa tenha continuidade, segundo o secretário.
A seleção dos produtores a serem beneficiados será feita por um comitê gestor, formado por membros da Prefeitura, do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e ainda entidades de extensão rural e do setor. Os produtores também serão capacitados em cursos.
Para executar os serviços, a Prefeitura já foi habilitada, segundo Landmark, a receber uma pá carregadeira e um trator de esteiras do Ministério da Pesca e Aquicultura.
Grandes
Além dos pequenos produtores, a Prefeitura vai trabalhar para o crescimento da piscicultura profissional, apoiando a retomada de produção nos tanques já prontos e que estão desativados.
Um levantamento feito pelo agrônomo Maurício Xavier Cury aponta que 70% das 700 hectares de lâmina de água existente no município não estão sendo utilizadas para a produção. “Sabemos que o consumo de pescado vai continuar crescendo no Brasil e queremos incentivar a retomada da produção em grande escala em Dourados”, diz Landmark. Dourados pode produzir 4.200 toneladas de pacu e pintado por ano ou 14.000 toneladas de tilápia, acrescenta.
Frigorífico
Para garantir o abate, a Prefeitura trabalha para concluir o frigorífico de peixes de Dourados. Landmark diz que o Ministério da Pesca e Aquicultura já fez um compromisso com o prefeito Murilo de liberar mais R$ 1,5 milhão para o término do frigorífico e implantar os primeiros equipamentos.
Tecnologia para o desenvolvimento do setor não vai faltar. A Embrapa Agropecuária Oeste e a UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) criaram núcleos de estudos sobre a piscicultura na Grande Dourados.
Com o apoio da Prefeitura na organização dos produtores, fomento à produção, estruturação do setor de abate e na comercialização, Dourados se tornará um dos líderes da produção de pescado em Mato Grosso do Sul.