“O mundo vai ser influenciado pelo mercado e pelas decisões tomadas pelo Brasil na produção de álcool e açúcar”. A opinião é do presidente da Datagro, empresa de consultoria renomada no país, Plínio Mário Nastari, durante o debate “O Futuro dos Biocombustíveis no Brasil”, realizado na noite de quinta-feira (3), durante a agenda de eventos do 7º Canasul (Congresso da Cana de Mato Grosso do Sul) e da 3ª Agrometal, eventos encerrados nesta sexta-feira (4) em Dourados.
Segundo Nastari, isso ocorre porque o Brasil já é responsável pela exportação de quase a metade do que é consumido em açúcar e álcool no mundo. Durante o evento, ele ponderou as medidas que precisam ser adotadas pelo governo federal e os Estados para fomentar a produção no país, incluindo as principais regiões produtoras.
Para o presidente da Orplana (Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil), Ismael Perina Junior, a região da Grande Dourados desponta como uma das que mais estão em expansão no país e um futuro polo de destaque no setor. Ele foi debatedor deste painel, e durante sua fala destacou como positivo o “bom alinhamento” entre o Estado e as usinas.
Dentro do ambiente criado para a instalação de novas unidades e logística para ampliação da moagem, o coordenador de Indústria da Seprotur (Secretaria estadual de Desenvolvimento Agrário, da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo), Johnatas Soares de Camargo, apontou os investimentos realizados no Estado.
Ele citou a construção de ferrovias, federalização e ampliação de rodovias, entre outros. Camargo ainda destacou o quanto a produção de cana-de-açúcar cresce no Estado, sem atrapalhar a produção de grãos, principalmente na região sul.
Reflexo do potencial
“Percebemos que este evento consegue mostrar para a cidade o potencial do setor sucroenergético na região, além de trabalhos de pesquisa que vão trazer melhorias para esta região que está em expansão nesta área”, afirmou Odorico Diogo, técnico da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), no interior paulista, durante o congresso. “Há uma troca de conhecimento entre a gente que está numa região tradicional e o pessoal de Mato Grosso do Sul que está em expansão”, complementou.
Para o acadêmico de tecnologia em produção sucroalcooleira da Uems (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), José Augusto Avance, os assuntos discutidos durante o Canasul complementam o que aprende na universidade. “A gente agrega ainda mais conhecimento ao que estudamos”, disse ele, que já trabalha há seis anos em uma usina como técnico em fabricação de álcool.
Para o engenheiro e professor de máquinas agrícolas do curso de engenharia agrícola da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados), Cristiano Souza, o Canasul já é um evento que colabora no desenvolvimento do setor no Estado, com o debate em torno dos temas mais relevantes, além de apresentar novas tecnologias. “Aqui são tratados assuntos regionais, nacionais e até internacionais. Saímos daqui com uma visão ‘macro’ de como está o setor e quais avanços são necessários nas mais diversas áreas”, avaliou.
Mas, para o docente, a Agrometal é o principal foco, já que através da feira são feitos contatos com empresas de máquinas de agrícolas que tem interesse em firmar convênios com a universidade para desenvolver projetos com acadêmicos ou patrocinar pesquisas. “Todos os anos a gente faz parcerias que foram iniciadas aqui”, disse.
Já para o presidente do Ceise Br (Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis), Antônio Eduardo Tonielo, um dos diferenciais do congresso e da feira está na organização. “A feira é bem técnica e há bastante proximidade entre os participantes, o que aumenta a possibilidade fazer bons contatos”, afirmou. O Centro trouxe uma dezena de empresas de Sertãozinho/SP para participar dessa programação.