O vice-presidente Michel Temer e o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, assinaram ontem (6) um acordo com a China para a exportação de milho. Com o acordo, o Brasil vai vender o equivalente a R$ 4 bilhões do grão para o país asiático. Temer e comitiva participam no país de eventos oficiais e reuniões com empresários brasileiros e chineses.
“O protocolo amplia o leque de produtos de alta qualidade e de preço competitivo que o Brasil pode propiciar à China”, disse o vice-presidente, comemorando a parceria com os chineses. A decisão foi tomada durante sessão plenária da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), instância política de mais alto nível de diálogo regular entre os dois países.
A ampliação do agronegócio brasileiro para a China foi um dos principais assuntos da terceira reunião da Cosban. Em discurso após o encontro, o vice-presidente disse que recebeu das autoridades chinesas a indicação de que o processo de suspensão de embargo da carne bovina brasileira será concluído.
“Por isso, acordamos com as autoridades chinesas a mais rápida realização de visitas técnicas também com vistas à habilitação de novos estabelecimentos exportadores de carnes bovinas, suínas e de aves”, disse.
A partir do acordo, o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) vai emitir um Certificado Fitossanitário para amparar as exportações a serem feitas. De acordo com o Mapa, a China vem importando volumes crescentes do cereal nos últimos anos e o Brasil tem perspectivas de se tornar um dos maiores fornecedores de milho para a China. “No ano passado, as exportações brasileiras do produto foram 19,8 milhões de toneladas”, informa o ministério em nota.
Ainda segundo o Mapa, um grupo de trabalho será criado para tratar de biotecnologia agrícola e biossegurança, “o que facilita os entendimentos entre o Mapa e as autoridades chinesas nas questões envolvendo produtos geneticamente modificados”.
Temer, que foi escolhido pela presidente Dilma Rousseff para representar o Brasil nas questões comerciais com outros países, tem também a missão de atrair investimentos chineses em empresas brasileiras. Segundo ele, os brasileiros receberam com “grande agrado” a notícia do interesse da China em investimentos na área de energia e toda infraestrutura.
Em entrevista à Agência Brasil antes de embarcar, o vice-presidente disse que o fato de as estatais chinesas CNPC e Cnooc participarem do consórcio que venceu a licitação para explorar o petróleo do Campo de Libra significa abertura para que outras empresas venham para o Brasil.