O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (4), abaixo de R$ 2,25, após dados de emprego nos Estados Unidos indicarem que a política monetária no país não deve ser alterada e o Banco Central brasileiro anunciar o início da rolagem dos swaps cambiais ( que vencem em maio.
A moeda norte-americana recuou 1,7%, cotada a R$ 2,2437 na venda, após chegar a R$ 2,2340 na mínima da sessão. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,4 bilhão.
Na semana, a divisa dos EUA acumulou queda de 0,69%.
"O dólar já havia aberto (o dia) em queda em função do anúncio da rolagem (dos swaps), que alguns já esperavam que não viesse. Quando veio o relatório dos EUA, acelerou a queda bem forte", afirmou à Reuters o operador de câmbio da Intercam Glauber Romano.
Segundo o site G1, o Estados Unidos criaram 192 mil vagas de emprego em março, frente a expectativas de 200 mil postos de trabalho. O número mostra que a economia norte-americana continua forte mesmo após a desaceleração provocada pelo clima frio no início do ano.
No entanto, para analistas, os resultados não são suficientes para fazer o Federal Reserve, banco central norte-americano, ampliar o ritmo de redução do programa de estímulos, não afetando ainda mais a liquidez. Também suaviza as preocupações de que a taxa de juros na maior economia do mundo seja elevada antes do esperado.
A queda do dólar também foi puxada pelo anúncio do BC brasileiro de que daria início nesta sessão à rolagem dos swaps cambiais, que servem como venda futura de dólares, que vencem em 2 de maio, no valor equivalente a US$ 8,733 bilhões.
Atuação do Banco Central
No fim da manhã, o BC vendeu a oferta total de até 10 mil swaps para rolagem, o que equivale a cerca de 6% do lote que vence no próximo mês. Se mantiver esse ritmo de leilões durante todo o mês, a autoridade monetária conseguirá rolar praticamente todo o volume.
"Parece que o BC está comprometido em permanecer no mercado, apesar da queda do dólar", disse à Reuters o economista da área de análises da XP Investimentos, Daniel Cunha, ressaltando ainda que vê entradas de recursos no mercado doméstico.
Para ele, a autoridade monetária continua presente para não trazer volatilidade ao mercado.
Em março, o BC rolou apenas cerca de 75% dos contratos de swaps que venceram no início deste mês. Foi a segunda vez que a autoridade monetária deixou parte doscontratos vencerem desde agosto passado, quando iniciou seu programa de intervenção no câmbio.
Mais cedo, a autoridade monetária também deu continuidade àsintervenções diárias, vendendo a oferta total de até 4 mil swaps, todos com vencimento em 1º de dezembro deste ano e volume equivalente a US$ 198,3 milhões. O BC também ofertou contratos para 2 de março de 2015, mas não vendeu nenhum.