A cotação do petróleo abriu a semana com uma forte queda para o menor patamar em cinco anos, após a decisão da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na semana passada, de manter o atual nível de produção e exportação da commodity. No fim da sessão, os preços se recuperaram e fecharam em alta, mas a tendência, segundo analistas do setor, é que o preço do barril possa chegar a US$ 40, gerando graves problemas para as economias dependentes do combustível e inviabilizando economicamente explorações alternativas, como a do gás não convencional dos Estados Unidos e até o pré-sal brasileiro.
Segundo analistas, em reportagem do jornal O Globo, o recuo dos preços é o pior desde o colapso do sistema financeiro internacional em 2008 e ameaça gerar o mesmo impacto global de queda de preços de três décadas atrás, que gerou a crise da dívida do México e levou à dissolução da União Soviética. A Opep é responsável por cerca de um terço do petróleo produzido no mundo.
A Rússia, cuja metade das receitas proveem da venda de petróleo, não pode mais contar com o mesmo nível de entrada de recursos de antes para resgatar uma economia já abalada pelas sanções da EU (União Europeia) e Estados Unidos. O Irã, que também está sendo afetado por sanções internacionais, se verá obrigado a reduzir os subsídios, que haviam, pelo menos parcialmente, preservado sua crescente população. A Nigéria, que enfrenta uma insurgência islâmica, e a Venezuela, afetada por medidas políticas e econômicas que se mostraram falhas, também estão entre os países mais afetados pelo derretimento da cotação do petróleo após a decisão da Opep, disseram analistas. Alguns deles veem uma situação de queda livre dos preços, a primeira em décadas, conforme a reportagem.