Reportagem de capa da revista Época deste final de semana mostra como uma pequena empresa de investimentos sediada numa caixa postal nas Ilhas Bermudas, com patrimônio de R$ 19, conseguiu a façanha de captar R$ 2,4 bilhões na Bolsa de Valores e de receber um aporte de R$ 700 milhões do BNDES em um de seus negócios. Parecia um caso de sucesso. Por trás do dinheirão todo, está uma fraude sem precedentes.
Ex-dona da butique Daslu e da marca Parmalat no Brasil, a Laep Investiments, fundada em 2006 pelo empresário Marcus Elias, entra para a história por ter dado um golpe de R$ 5 bilhões entre 2008 e 2013 no governo e em cerca de 18 mil investidores. A conta inclui dinheiro roubado de pequenos acionistas e grandes investidores, além de tributos não pagos. Torna-se, assim, o maior prejuízo do mercado de capitais brasileiro, segundo uma denúncia do MPF (Ministério Público Federal) de São Paulo e documentos que embasaram a investigação.
Há indícios de mais de dez crimes, como gestão fraudulenta, manipulação do mercado, uso indevido de informação privilegiada, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outros, segundo a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, responsável pelo caso.