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Temer tem agenda cheia e contratos bilionários na China

01 de setembro 2016 - 12h59 Por Redação Douranews
Temer tem agenda cheia e contratos bilionários na China Com Temer, PMDB volta a comandar o País depois da era Itamar na década de 90 — Foto: Arquivo

No primeiro compromisso oficial após ser efetivado no poder, o presidente Michel Temer fará cinco discursos na China para mostrar que houve uma guinada política e econômica no país. Na reunião do G20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), ele ressaltará as diferenças em relação ao governo passado, tanto no controle das contas públicas e da inflação quanto na retomada do crescimento.

Já na agenda preparada exclusivamente para azeitar as relações do Brasil com os chineses, nos níveis empresarial e de Estado, Temer e a equipe de ministros que o acompanham nessa jornada assinarão 11 atos, aos quais O GLOBO teve acesso. São negócios bilionários, como a venda de 50 aviões da Embraer, investimentos de US$ 1 bilhão na Petrobras, construção de um grande terminal de cargas e uma siderúrgica no Maranhão e até a compra de participações na construtora Camargo Correa, por US$ 1,83 bilhão.

Com esses acordos, Temer quer marcar uma nova fase de entradas de recursos no Brasil e reativação da economia. No entanto, terá de dar várias justificativas sobre a cena política e refutar a ideia de golpe. E ainda enfrentará temas complicados, como o reconhecimento da China como economia de mercado.

A agenda do presidente é extensa. Na primeira sessão de trabalho, domingo (4), ele admitirá aos demais chefes de Estado que o desafio mais urgente do país é fiscal. No discurso, prometerá ao mundo que o gasto público no país não terá crescimento real nos próximos 20 anos por causa da emenda constitucional que está no Congresso Nacional.

Sem citar diretamente a ex-presidente Dilma Rousseff, ele alfinetará o antigo governo. Falará que, agora, o Banco Central tem atuado de forma decisiva para trazer a inflação para o centro da meta, o que não ocorreu em “anos recentes”. Dirá também que uma ambiciosa agenda de reformas estruturais está em curso e que o que já foi feito mudou radicalmente as expectativas, o que mexe com a economia. O presidente afirmará que o Brasil já vive, hoje, uma alta do nível de confiança dos agentes econômicos, queda no custo de financiamento externo, redução de risco país, o aumento do fluxo de dólares e de investimento e também ressaltará o "desaparecimento" do rombo das contas externas.

Na segunda-feira (5), o foco de Michel Temer será a energia elétrica. Dirá que o país está pronto para cooperar na construção de uma plataforma internacional para desenvolver a bioeconomia e a bioenergia avançada e sustentável. Num discurso voltado para o meio ambiente, argumentará que não há um plano B para o mundo a não ser investimento em energia limpa. Nesse mesmo dia, o presidente falará em outro fórum que o mundo precisa discutir os subsídios agrícolas e remover barreiras comerciais para países em desenvolvimento.

Em um almoço com chefes de Estados do G20, Temer fará um discurso voltado para o social. Dirá que o G20 tem responsabilidades e que é indispensável uma “solidariedade global revigorada”. Na quinta sessão de trabalho, o presidente tratará de temas como as migrações, assunto em alta por causa dos refugiados que rumam para a Europa. Defenderá política para estabilização e desenvolvimento dos locais de origem desses fluxos migratórios. Lembrará, por exemplo, que o Brasil recebeu de braços abertos os haitianos - que não se enquadram na categoria de refugiados, mas chegaram aos milhares ao país por diversas razões. Condenará o terrorismo. E ainda falará sobre saúde. Lembrará que o Brasil quebrou a patente dos remédios contra a Aids.


Durante a viagem, o presidente ressaltará que o mundo não se recuperou da crise mundial e que três elementos têm merecido a atenção do governo brasileiro: a evolução do preço das commodities, os reflexos das políticas monetárias acomodatícias em países desenvolvidos e a volatilidade dos mercados financeiros por causa do Brexit (saída do Reino Unido da União Europeia) e do terrorismo.

O governo brasileiro tem interesses específicos nesta viagem. Com a China, o Brasil quer aumento das exportações do agronegócio brasileiro inclusive por meio da habilitação de novos estabelecimentos autorizados a exportar carne. Sublinhará a necessidade de maior flexibilidade das autoridades chinesas na concessão de autorização para as importações e a participação de empresas chinesas no Plano de Investimentos em Infraestrutura.