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O que fazer com filhos que passam muito tempo com os avós e voltam mimados

04 de março 2013 - 19h55 Por Redação Douranews
O que fazer com filhos que passam muito tempo com os avós e voltam mimados

Um erro comum dos pais é esperar dos avós a mesma postura deles diante da criança. Acontece que, entre avós e netos, há uma relação direta, com regras que não passam pelo arbítrio dos pais. "É natural que façam concessões e até ignorem algumas orientações. Essa relação lúdica e prazerosa é benéfica para os pequenos, mesmo que certos protocolos sejam quebrados de vez em quando", afirma a pedagoga Maria Márcia Sigrist Malavasi, da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Caso seu filho tente reproduzir em casa comportamentos inadequados para os quais a avó faz vista grossa, fale com ele. E nada de esperar as férias terminarem - afinal, esse não é um problema da escola. Diante de birras e exigências descabidas, mantenha a calma e seja firme. Um "não pode" seco e objetivo é mais eficiente do que mil ameaças. Por exemplo: ele quer ficar de pijama depois de levantar alegando que a avó permite? Simplesmente diga: "Ela deixa, mas eu não. Vá se trocar".

Segundo a psicanalista Lidia Aratangy, autora do Livro dos Avós: na Casa dos Avós É Sempre Domingo? (Primavera Editorial), uma criança de 4 anos já tem discernimento para perceber que as regras da casa da avó não são as mesmas estabelecidas pelos pais ou as vigentes na escola - e é capaz de modular seu comportamento de acordo com a situação. "A possibilidade de lidar com essas diferenças é benéfica ao desenvolvimento. Portanto, não há motivo para conflitos: na avó, valem as determinações dela", afirma Lidia.

A exceção é quando a avó ignora orientações fundamentais ao bem-estar da criança. "Costumo dizer que existem regras e leis, e só as primeiras podem ser mudadas", explica Lidia. Desse grupo, fazem parte itens como a hora das refeições e os espaços onde a bagunça é tolerada. Já as leis envolvem questões de saúde, valores e formação de bons hábitos - como não trocar uma refeição por um pacote de bolacha, ter um tempo limitado para ficar diante da TV ou do computador, escovar os dentes após as refeições, respeitar os outros e tomar remédios no horário. Nada disso pode ser negociado.

Ofensas e críticas veladas - do tipo: "A avó estraga esse menino!" - devem ser evitadas. "Isso põe a criança em um conflito de lealdade que ela não tem maturidade para administrar", alerta Lidia. A avó também peca se desautoriza a mãe na frente do neto - mais ainda quando se trata de algum ponto considerado essencial. "Nesses casos, é melhor contratar uma babá para as férias. Em geral, porém, a influência da avó, pelo afeto que transmite, é positiva para os pequenos, ainda que cheia de concessões e mimos", garante Maria Márcia. Conforme o site Claudia.