A União Europeia rejeitou uma oferta do Irã de visitar suas instalações nucleares, disse na sexta-feira a chefe de Relações Exteriores do bloco, Catherine Ashton, mas continua otimista em relação às conversações previstas com Teerã para este mês.
O Irã enviou cartas a vários embaixadores junto à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em Viena, convidando-os a visitar duas instalações nas próximas semanas: a usina de enriquecimento de urânio de Natanz e o complexo de água pesada de Arak.
Entre os países convidados está o Brasil, que analisa a oferta, de acordo com o Itamaraty.
Diplomatas de Grã-Bretanha, França, Alemanha e Estados Unidos não foram convidados. Mas a Hungria, que ocupa a presidência rotativa da UE até julho, foi convidada, deixando o bloco em um dilema sobre o que fazer.
"O que direi é que o papel de inspecionar instalações nucleares cabe à AIEA, e espero que o Irã garanta que a AIEA possa ir e realizar seu trabalho," disse Ashton à Reuters após um encontro com o chanceler húngaro, Jamos Martonyi, dizendo que o convite seria recusado.
Os EUA e as três potências da UE mais envolvidas em pressionar o Irã para que suspenda o enriquecimento de urânio foram esnobados por Teerã, mas Rússia e China, também envolvidos em negociações nucleares esporádicas com o Irã, foram convidadas.
Ashton disse que consultou Rússia e China antes de decidir que o convite não deveria ser aceito.
"Evidentemente, consultei os outros membros do E3+3 (seis potências) que foram convidados. Minha posição é que, embora eu não enxergue este convite sob uma ótica negativa, visitar essas instalações e determinar o que são não é nosso trabalho e é algo que requer conhecimentos especializados," disse Ashton, aludindo aos inspetores da AIEA.