Pelo menos cem brasileiros estão impossibilitados de sair de Punta Arenas, cidade chilena localizada no Estreito de Magalhães, na Patagônia. Todas as saídas foram bloqueadas pelos manifestantes que protestam contra o aumento do preço do gás natural.
Os responsáveis pelos protestos estariam usando os estrangeiros, o que inclui brasileiros, como forma de pressionar as autoridades pela desistência do aumento.
"Às 17 horas, o embaixador do Brasil no Chile, Frederico Araújo, vai se encontrar com representantes do governo chileno para discutir maneiras de resolver o problema", disse por telefone a cônsul-geral do Brasil no Chile, Maria da Graça Carrion.
A reunião servirá para elaborar uma estratégia para acalmar os ânimos na região. A distância atrapalha os esforços dos diplomatas brasileiros para ajudar os compatriotas que lá estão. Punta Arenas está a mais de 3.000 km da capital Santiago. Para piorar, são terras de difícil acesso.
Mesmo assim, ainda segundo Carrion, um cônsul-honorário está no local e auxilia os brasileiros. Os que lá estão não são somente turistas. Muitos moram na cidade. Alguns trabalham na Petrobras.
"Pessoas de outras nacionalidades também não conseguem sair de Punta Arenas. Por volta de 1.800 argentinos, além de canadenses, americanos e europeus", afirmou a cônsul-geral Carrion.
ENTENDA O CASO
Desde que a Enap (Empresa Nacional de Petróleo), a estatal chilena, anunciou que o gás natural em Magalhães subiria 16,8%, a comunidade da região se mobilizou para refutar fortemente o aumento, o que implicará em elevação do custo de vida para os habitantes.
Os manifestantes estão brigados com o presidente Sebastián Piñera. Piñera havia assegurado em visita à região que o setor residencial de Magalhães seguiria recebendo o benefício de contar com subsídio do governo sobre o preço do gás.
"O setor residencial de Magalhães tem um tratamento especial nos preços do gás natural, e esse preço não será alterado. Por essa razão, quero dizer que não há nada a temer", disse Piñera pouco antes do estouro da crise.