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Presidente russo culpa falha na segurança e quer demissões após ataque que matou 35

25 de janeiro 2011 - 12h42 Por Redação Douranews, com Folha
Presidente russo culpa falha na segurança e quer demissões após ataque que matou 35

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, culpou os responsáveis pela segurança do Aeroporto Domodevo e exigiu demissão dos responsáveis pela segurança dos meios de transporte após o ataque suicida que matou 35 e feriu ao menos outros 180 no terminal de chegadas internacionais.

Nenhum grupo assumiu a responsabilidade pelo ataque, mas as autoridades suspeitam de militantes do Cáucaso Norte --responsáveis por vários ataques contra o país.

"É obviamente um ato terrorista que foi bem planejado para causar o maior número de vítimas possível", disse nesta terça-feira o presidente.

A bomba foi detonada em um atentado suicida nas esteiras de bagagem do terminal de chegadas internacionais às 16h40 locais (11h40 no horário de Brasília), deixando vários corpos no chão e cobrindo o local de fumaça. A lista de vítimas divulgada pelo Ministério de Emergências inclui oito estrangeiros --dois britânicos, um alemão e cidadãos da Bulgária, Quirguistão, Tadjiquistão, Uzbequistão e Ucrânia.

Nesta segunda-feira, as autoridades locais disseram ter encontrado a cabeça de um homem de aparência árabe, de idade entre 30 e 35 anos, que seria o homem-bomba. Mas a agência de notícias France Presse, que cita uma fonte de segurança anônima, diz que há evidências de que uma mulher-bomba foi responsável pelo ataque --como nos ataques do ano passado ao metrô de Moscou.

Medvedev disse que a gerência do Aeroporto Domodedovo deve responder pelo ataque, já que o terrorista suicida conseguiu passar pela segurança. "O que aconteceu mostra que há claras violações na segurança", disse, acrescentando que as medidas foram reforçadas depois de terroristas explodirem dois aviões que decolaram do mesmo aeroporto em 2004, matando 90 pessoas.

O Aeroporto de Domodedovo negou responsabilidade pela explosão. "O aeroporto sustenta que não deve ser responsabilizado pela explosão, porque, repito, estamos cumprindo plenamente todos os requisitos de segurança do transporte aéreo pelos quais somos responsáveis", disse a porta-voz Yelena Galanova.

Medvedev ordenou ainda ao ministro do Interior "que proponha demissões ou outras medidas para os responsáveis da segurança no transporte". Em reunião com o estado maior do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB), ele exigiu que o órgão "aponte responsabilidades entre os altos cargos da pasta".

"Em 2010, o número de atentados aumentou. Para o FSB, da mesma forma que para outros corpos de segurança do Estado, esta é a advertência mais alarmante".

Além disso, Medvedev determinou que o governo tome medidas em relação aos funcionários do Executivo encarregados de garantir a ordem em transporte. "Os dados dos quais dispomos refletem que no lugar do atentado simplesmente reinava a anarquia. Entrava-se por qualquer lugar, o controle de acesso era, no melhor dos casos, parcial e não afetava aqueles que recebiam os passageiros", declarou.

REBELDES

Rebeldes no Cáucaso do Norte ameaçaram ataques contra cidades e alvos econômicos durante os preparativos para as eleições parlamentares deste ano e as presidenciais de 2012. A escolha da área de chegadas internacionais do Domodedovo sugere que os agressores queriam um impacto além das fronteiras da Rússia.

A Rússia é a anfitriã dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, em Sochi, às margens do Cáucaso, que alguns rebeldes consideram parte do território que reivindicam para um Estado islâmico.

Moscou registrou nos últimos dez anos uma série de explosões reivindicadas por militantes da causa separatista da Tchetchênia, uma república do Cáucaso. Nos últimos anos, contudo, os atentados se tornaram menos frequentes. Em agosto de 2009, Medvedev anunciou a ampliação da campanha contra o terrorismo no Cáucaso Norte, após um atentado suicida ter sido perpetrado contra um prédio da polícia na república da Inguchétia, no qual morreram 24 pessoas.

Medvedev, que prometeu punir os responsáveis pelas explosões, atrasou sua partida para Davos, onde deve defender novos investimentos estrangeiros na Rússia em seu discurso de abertura do Fórum Econômico Mundial nesta quarta-feira.

Analistas disseram que o ataque poderia prejudicar os esforços do Kremlin de renovar a economia, especialmente com as eleições se aproximando.

"A ameaça para a segurança nacional distrai a atenção dos altos funcionários de outras questões emergenciais, como a formulação da agenda de política econômica para o próximo ciclo político", disse o banco de investimento VTB Capital, em uma nota. "Ela também pode afetar os cálculos para a campanha eleitoral de 2011-12".

METRÔ

O maior ataque terrorista dos últimos anos na cidade ocorreu no dia 29 de março de 2010, quando duas mulheres suicidas da região do Daguestão detonaram explosivos em duas estações do metrô de Moscou, matando 40 pessoas.

O primeiro atentado aconteceu às 7h57 (0h57 no horário de Brasília) em um vagão parado na estação Lubianka. A Praça Lubianka abriga a sede do FSB, sucessor da KGB soviética, que neste edifício interrogava e eliminava os dissidentes durante as punições da então União Soviética.

O segundo atentado foi executado na estação Park Kultury, na mesma linha do metrô, às 8h40 (1h40 no horário de Brasília). A estação fica próxima ao Parque Gorky.