O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, foi vítima de um atentado, segundo a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. É a primeira vez que o governo norte-americano fala sobre o assunto. Na manhã deste sábado, a rede de TV Fox News havia noticiado a tentativa de assassinato, que teria acontecido no último dia 29.
Na semana passada, Suleiman foi nomeado vice-presidente pelo atual chefe de Estado egípcio, Hosni Mubarak. A decisão foi tomada depois de Mubarak enfrentar os primeiros de uma série de protestos contra ele no país. Pelo décimo segundo dia, o Egito enfrenta uma onda de manifestações.
Hillary disse que no atentado contra Suleiman morreram dois guarda-costas, de acordo com comunicados do serviço secreto egípcio. A informação não é confirmada pelas autoridades egípcias.
Contra impasse
O vice-presidente se tornou o principal porta-voz do governo na tentativa de buscar o fim do impasse e o encerramento das manifestações contrárias a Mubarak.
Em meio à crise política, Mubarak reuniu hoje os ministros em busca de retomar a normalidade no país. Para analistas egípcios, a onda de protestos pode custar ao Egito pelo menos US$ 310 milhões por dia. Na reunião com o presidente estavam também o dirigente do banco central egípcio, o primeiro-ministro e os ministros das Finanças, do Petróleo, do Comércio e da Indústria.
Com o comércio funcionando parcialmente, os bancos e as bolsas de valores fechados, o governo se preocupa com os efeitos das manifestações na economia do Egito. O ministro das Finanças egípcio, Samir Radwan, afirmou que a situação econômica do país é “muito séria”.
Tiroteio
Um intenso tiroteio foi ouvido, na noite desta sexta-feira na praça Tahrir, no centro do Cairo, espalhando por alguns minutos o pânico na multidão de manifestantes antigovernamentais que se encontram reunidos no local.
Centenas de milhares de egípcios saíram às ruas para participar do dia batizado de "Sexta-feira da Partida". Os protestos são para pedir a renúncia do presidente Hosni Mubarak.
Ao anoitecer, na praça Tahrir (Libertação), mais de 10 mil pessoas seguiam no local, muitas dispostas a passar mais uma noite desafiando o toque de recolher, cuja duração foi reduzida e hoje vigora das 19h às 6h.
Morte
Um jornalista egípcio morreu nesta sexta-feira pelos ferimentos de tiros disparados durante confrontos entre partidários e opositores do presidente Hosni Mubarak, informou um jornal estatal.
Ahmed Mohammed Mahmud, do jornal Al-Taawun, publicado pela fundação governamental Al-Ahram, morreu após permanecer em coma por quatro dias, informou o jornal "Al-Ahram". Ele foi atingido por franco-atiradores há uma semana quando tirava fotografias a partir de seu apartamento, perto da Praça Tahrir, o epicentro dos protestos contra o governo.